Menina desaparecida é encontrada morta
Silvana Leão
De Londrina
A Polícia Civil de Londrina encontrou ontem, por volta do meio-dia, o corpo da menina Greice Carolina da Silva Melo, 5 anos, que estava desaparecida desde a noite de 1º de setembro. O corpo foi encontrado dentro de uma tubulação de esgoto, amarrado em um saco de pano, em um terreno próximo ao assentamento Santa Fé (zona leste), onde a garota morava com a mãe, o padrasto e mais dois irmãos.
O principal suspeito do crime, o catador de papel Ademir Justino da Silva, 21 anos, conhecido como Doido, foi preso ontem, em Santa Cecília do Pavão (50 quilômetros ao sul de Londrina) e trazido para Londrina, onde confessou o assassinato. A prisão ocorreu logo depois que a polícia encontrou o corpo da menor (ver texto nesta página).
Ademir da Silva havia prestado depoimento anteontem à delegada do 2º Distrito Policial (DP), Waldete Testoni, negando envolvimento com o caso. A delegada chegou a declarar, ao final do depoimento, que havia considerado bastante convincente o depoimento do catador de papel e que ele estava praticamente fora de suspeita.
Ontem, logo depois de encontrado o corpo, ela revelou que na verdade foi uma estratégia sua deixar tranquilos o suspeito e seu advogado, João Ademar Menta, para que Silva continuasse por perto e fosse encontrado facilmente caso precisasse ser ouvido novamente. Ontem, Menta foi até o 2º DP para se certificar que o catador de papel havia confessado o crime. Em seguida, foi embora, dizendo que estava abandonando o caso porque não defende estuprador.
O caso começou a ser elucidado no final da manhã de ontem, quando três homens foram ao 2º DP para dizer que tinham informação de que havia um corpo perto do assentamento. Eu estava ouvindo novamente a mãe de Greice, Marineide Melo, quando eles chegaram. Interrompi imediatamente o depoimento e fui para lá, contou a delegada.
Os homens que procuraram a polícia são Luís Carlos de Souza, André Cerdeira e Edmilson Cerdeira, também catadores de papel. Eles contaram que um outro catador de papel, menor de idade, teria visto o Doido entrando no terreno, na madrugada em que a garota sumiu, com um saco nas costas. Depois, ele teria saído carregando uma faca e um garfo de churrasco sujos de sangue.
Embora o garoto (seu nome não foi revelado) provavelmente estivesse desconfiado do assassinato, ficou calado todos estes dias. Anteontem, porém, ao sair do 2º DP, Ademir da Silva passou no depósito de papel para o qual todos trabalhavam, afirmando que estava fora de suspeita e estava indo para Santa Cecília do Pavão, onde moram seus pais.
Depois que o Ademir saiu, esse nosso amigo começou a demonstrar um comportamento estranho, ficou diferente. Aí nós começamos a pressionar ele, que acabou contando o que tinha visto. Quando amanheceu nós viemos ver se era verdade e, pelo cheiro, tivemos a certeza de que tinha mesmo um corpo por aqui, disse Luis Carlos de Souza, enquanto acompanhava a retirada do cadáver da menina.Corpo de Greice Melo, 5 anos, foi encontrado em uma tubulação de esgoto. Catador de papel confessou o crime
Paulo WolfgangPaulo WolfgangDorico da SilvaPaulo WolfgangFIM TRÁGICOCorpo de Greice (detalhe) estava amarrado em um saco de pano. Abaixo, à esquerda, a mãe da menina no Instituto de Criminalística e o barraco de onde a criança foi levada no dia 1º de setembro. À esquerda, o catador de papel Ademir Justino da Silva, conhecido como Doido, que foi preso ontem e confessou o crime





