Lucilia Okamura
Uma criança de três anos, a menina L.C.A.F., teve que ser socorrida pelo Siate e levada para o Hospital Universitário (HU) de Londrina, anteontem à noite. Ela foi ferida na cabeça porque teria sido empurrada pelo pai, José Ferreira, 25 anos. A denúncia da agressão na delegacia foi feita pela mãe, Luciana Alves dos Santos, 19 anos, que se queixa também de sofrer violências física e emocional do companheiro.
Depois de medicada e de levar três pontos na cabeça, a menina foi liberada e voltou com a mãe para casa, em uma ocupação nos fundos do Jardim Santa Fé (zona leste). Luciana contou que anteontem, por volta das 20 horas, começou a discutir com o companheiro porque queria trabalhar fora. ‘‘Ele disse que colocava arroz e feijão em casa e que eu não precisava ficar procurando emprego’’, observou.
Quando a menina chegou perto do casal Ferreira teria ficado irritado. ‘‘Ele empurrou a menina, que acabou caindo da escada e bateu a cabeça’’, relatou. ‘‘Fiquei desesperada porque começou a sair bastante sangue da cabeça dela’’. Os vizinhos chamaram o Siate, que levou L.C.A.F. para o hospital. ‘‘Ele (Ferreira) sumiu, mas estou com medo que volte e me bata de novo ou até que me mate’’, desabafou.
Luciana disse que é a primeira vez que o marido agride um dos filhos (além de L.C.A.F., ela tem um menino de dois anos), mas que sofreu violência várias vezes. ‘‘Ele já me deu chutes, tapas, puxou meu cabelo e me xingou’’, contou. Ameaças de morte também são constantes, segundo ela.
Luciana não se lembra da primeira vez que foi agredida, mas explicou que no início tinha a esperança de que ele mudasse. ‘‘Toda vez que me batia, ele chegava depois e jurava que isso nunca mais ia acontecer. E eu acreditava. Hoje sei que ele não vai mudar nunca’’.
Morando com os dois filhos em um pequeno barraco de madeira, Luciana disse
que conta com a ajuda dos vizinhos, que lhe fornecem uma cesta básica, e dos familiares. O companheiro, afirma, está desempregado e quando consegue dinheiro, gasta com drogas. Ela disse que não é raro Ferreira passar dias fora de casa. ‘‘Quando ele vem é só pra brigar’’.
Luciana disse estar convicta de que quer se separar dele e tem como sustentar os filhos. ‘‘Graças a Deus eu tenho saúde e posso trabalhar, mas não sei a quem recorrer. A minha mãe tem outros três filhos e não dá para eu morar lᒒ.

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