Dorico da SilvaRevoltaAvenida Lúcia Helena Viana fechada: moradores prometem repetir protesto até o fim dos acidentes Alessandra Ruthes, de nove anos, morreu ontem ao atravessar a avenida Lúcia Helena Viana (zona norte), na altura do conjunto Pacaembu. A menina foi atropelada pela camionete D.20, placas BGZ 0989, conduzida pelo bancário Vando Aparecido Movio, quando voltava da escola municipal América Sabino Coimbra, no Jardim Paulista.
O Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate) foi acionado imediatamente e tentou manobras de ressuscitação, mas Alessandra morreu no local do acidente.
O acidente aconteceu por volta das 13h30 e revoltou os moradores dos bairros vizinhos. Cerca de 200 pessoas se reuniram, no final da tarde, e fecharam a avenida com pneus queimados e galhos de árvores. ‘‘Se os órgãos públicos não tomarem providências para obrigar os motoristas a reduzirem a velocidade na avenida, vamos continuar impedindo o tráfego. Nem que seja necessária uma mobilização destas por dia’’, afirma o comerciante Isauro Caetano.
Revoltado, Caetano conta que a comunidade dos cinco bairros próximos à avenida já organizaram vários abaixo-assinados, todos encaminhados à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), reivindicando a colocação de redutores de velocidade - eletrônicos ou lombadas convencionais - que ajudem a diminuir o número de acidentes que acontecem naquele trecho. Segundo os moradores, só nos últimos 12 meses foram três mortes, vários atropelamentos graves e incontáveis pequenos acidentes.
‘‘Sempre que procuramos os órgãos públicos, somos informados de que a média de acidentes na avenida não justifica a colocação de redutores’’, afirma o comerciante Maurino Martins de Oliveira. Ele diz que protocolou pessoalmente abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas no Ippul. O único retorno teria sido a informação da impossibilidade de colocar quebra-molas na avenida por ela ser em desnível.
A mesma justificativa foi dada à Associação de Pais e Mestres (APM) da escola Américo Coimbra, segundo a presidente da entidade, Damaris Barros Franco. Cerca de 160 crianças de cinco bairros da região estudam na escola. Depois de uma aluna quase ter sido atropelada na avenida, a APM organizou uma reunião com os pais de alunos, no final do ano passado, e aprovou documento exigindo uma solução para o problema. ‘‘Tentamos evitar que este tipo de desgraça acontecesse. Mas ninguém ouviu a gente’’, afirma Damaris Franco.
A menina Alessandra e um vizinho dela, Jean Paiva, também de nove anos, tinham acabado de levar seus irmãos menores para a escola quando o acidente aconteceu. O chinelo de Alessandra quebrou no meio da pista e, depois de deixar Jean no canteiro central da avenida, ela voltou para pegá-lo. Foi então atropelada. Alessandra e Jean haviam desobedecido os pais, que nunca permitem a eles ir sozinhos para a escola. A mãe de Jean pensava que a mãe de Alessandra estava com as crianças. O mesmo pensava a mãe da menina que morreu.
Outro acidente grave aconteceu na quarta-feira e deixou Paulo Lucas da Silva, nove anos, gravemente ferido. Ele estava de bicicleta segurando na traseira do caminhão placas BYC 5700, de Maringá, quando caiu sob o veículo, conduzido por Roberto Francisco de Oliveira. Segundo testemunhas, o menino perdeu o equilíbrio. O acidente ocorreu às 17h20, na rua Café Catuaí, jardim Tocantins (zona norte). Paulo foi socorrido pelo Siate quando ainda se encontrava debaixo do caminhão.
Encaminhado ao Hospital Evangélico apresentando fratura de bacia, desvio de intestino e forte hemorragia interna, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência. No início da noite de ontem, Paulo continuava na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) apresentando um quadro instável e a hemorragia ainda não estava totalmente controlada.

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