Lucilia Okamura
De Londrina
O pedreiro Valdete Arantes Galdino, 25 anos, e o sogro dele, o aposentado Sebastião Alves Pereira, 75 anos, foram enterrados ontem, às 15h30, no Cemitério Municipal de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). O pedreiro morreu anteontem à tarde, ao levar uma facada desferida pela sobrinha, a menor C.G., 14 anos. Ao ver o genro ferido, o aposentado teve um ataque cardíaco e também morreu.
Segundo informações de familiares das vítimas, as discussões entre o pedreiro e a sobrinha eram constantes. Ambos moravam no mesmo terreno (ele em uma casa na frente e a menor, nos fundos), na Vila Esperança – periferia de Ibiporã. ‘‘Na verdade, quem brigava com a minha filha era a Rosilene, mulher do Valdete. O gênio das duas não combinava’’, afirmou a mãe de C.G. e irmã do pedreiro, Dinalva Galdino da Silva. ‘‘Sempre que elas discutiam, a Rosi chamava o meu irmão, que ia lá e batia na adolescente’’, acrescentou.
Dinalva da Silva explicou que no domingo à tarde, por volta das 16 horas, C.G. e Rosilene Galdino tiveram uma discussão na casa da menor. ‘‘Daí, a Rosi foi chamar o meu irmão, que estava num bar, e pediu pra ele dar um jeito na minha filha’’, contou.
Ainda de acordo com Dinalva da Silva, Valdete Galdino estaria embriagado e já chegou agredindo C.G. a tapas. ‘‘Pra se defender, ela deu uma facada nele’’, afirmou. A facada teria atingido o coração do pedreiro, que chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Dinalva da Silva explicou que, com medo que acontecesse algo com a filha, pediu para ela fugir. ‘‘O sogro dele falou que se algo acontecesse com o Valdete, ia fazer Justiça com as próprias mãos, daí eu mandei ela correr pra longe’’, justificou.
O sogro do pedreiro, que também mora na Vila Esperança, viu Valdete Galdino ferido e começou a passar mal. ‘‘Ele tinha sofrido um derrame recentemente e não podia levar um choque desses’’, observou a filha do aposentado, Adriana Alves Pereira. Segundo ela, o pai tinha um carinho muito grande pelo genro. ‘‘Se não houvesse a discussão, nada disso tinha acontecido. O meu pai estava se recuperando bem do derrame’’, lamentou.
Dinalva da Silva afirmou não saber onde a filha está escondida. Depois de ir ao enterro do irmão e do sogro dele, ela disse que iria procurar a adolescente. ‘‘Vou tentar encontrá-la para levá-la à delegacia e explicar tudo que aconteceu’’. O pedreiro tinha uma filha de quatro anos.

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