Menina baleada passa por dificuldades
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Como toda menina de 12 anos, Daniela adorava ir para a escola onde era excelente aluna e conhecida por sua doçura. Mas há três meses, ela passou a sofrer as sequelas neurológicas provocadas por uma bala perdida que, segundo a perícia, teria saído da arma de um policial militar e atingido sua cabeça, no dia 16 de março do ano passado. A garota brincava no quintal do sítio onde mora, na Zona Norte de Londrina, e foi ferida durante uma perseguição policial.
A mãe, Maria das Graças Dias da Silva, contou que a menina reclama de dores de cabeça, tonturas e desmaios e na escola também não consegue mais assimilar os conteúdos. ''Ela aprende uma coisa no início da aula e depois do recreio já esquece'', emocionou-se. Sem fonte fixa de renda, a família está com dificuldades para custear os remédios e realizar os exames necessários para investigar as causas do problema. ''Tivemos que vender o único porco que a gente tinha para pagar exames. Precisei cortar o leite da minha caçula (de três anos) para guardar para a Daniela'', lamentou.
Maria das Graças reclamou que a filha não pode esperar meses até ser consultada em um posto de saúde e que a Polícia Militar não estaria dando assistência à família. ''A Daniela era uma menina doce, estudiosa, feliz. Só quero minha filha de volta, do jeito que ela era antes de ser baleada. Não quero dinheiro de ninguém, só uma ajuda'', pediu a mãe.
O subcomandante da 4 Companhia Independente da Zona Norte, capitão Nelson Villa Júnior, explicou que já foram tomadas as medidas com relação à responsabilidade dos policiais envolvidos no caso e o inquérito foi remetido à Justiça Militar. Quanto à eventual ação indenizatória, o oficial lembrou que o Estado, e não a Polícia Militar, teria que aguardar um posicionamento da Justiça. ''Com relação ao auxílio, a Polícia está sempre à disposição e, dentro das possibilidades, estaremos prestando toda a assistência à família'', completou.


