Mendicância é combatida no aeroporto
Patrícia Zanin
De Londrina
A secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, e o sub-comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, major Manoel da Cruz Neto, impediram ontem à tarde que dois meninos de rua continuassem pedindo esmola no Aeroporto de Londrina. A ação deles quis evitar que o governador Jaime Lerner (PFL), que chegou momentos depois, flagrasse a mendicância.
A Ação Social quer o bem deles, mas eles ficam importunando aqui, reclamou Cruz Neto, que chegou a admitir que a Polícia estava limpando a área. Estávamos conversando com eles, argumentou a secretária, que solicitou reforço de educadores do projeto Ammigo (Atendimento a Meninos e Meninas, Integrando e Garantindo Ocupação) para tentar encaminhar os garotos para projetos da prefeitura. Normalmente, apenas uma dupla de educadores faz plantão na região do aeroporto, mas ontem à tarde, duas foram acionadas. Os meninos foram levados para a Praça Nishinomya, ao lado do aeroporto, por volta das 13h45.
A secretária disse que os meninos, de 12 e de 13 anos, não têm aceitado a ajuda oferecida pelos educadores. Marisa voltou a reforçar o pedido para que a comunidade não dê esmola aos garotos e garotas de rua. Se as pessoas querem ajudar, procurem o projeto, recomendou. Mas a secretária reconhece ser difícil o processo de convencimento. Recentemente, assessores do prefeito Antonio Belinati (PFL) foram flagrados dando dinheiro a meninos de rua. É uma postura pessoal, afirmou a secretária.
Educadores do projeto Ammigo também reforçaram o apelo. Se as pessoas dão esmola, reforçam a permanência das crianças nas ruas, afirmou Maria Aparecida Arnaldo. Depois de duas horas fora da praça do aeroporto, os dois garotos voltaram ao local. Não quiseram ir para uma das casas-abrigo mantidas pela prefeitura. Um dos meninos, W.B.T., explicou o motivo: Aqui posso andar para onde quiser.
Ele revelou receber até R$ 30,00 por dia no aeroporto. Perguntado como e onde gasta o dinheiro, assumiu realizar um sonho de toda criança. Apontou para o posto de gasolina próximo ao aeroporto, em frente à praça, que mantém uma loja de conveniência, e respondeu: Lá, com chips (salgadinho). O funcionário do posto, Vilmar Machado, disse que os meninos chegam a gastar R$ 5,00 por dia com salgadinhos, doces e refrigerantes.





