Memórias do Cárcere
Tudo começou com um anúncio de jornal. Era uma oferta de emprego para acompanhante de executivos em viagens à Europa. Idéia que acabou sendo atraente para uma jovem de 28 anos, que tinha apenas um contrato temporário de trabalho na Sercomtel. Fugindo do pesadelo do desemprego, Rosimary Garcia Ferreira embarcou para outro, bem pior: fez as malas e rumou para Ponta Porã. Por dias, esteve hospedada com luxo e recebeu promessas de viagem a Madri. Mas ela não chegaria a encontrar a capital espanhola. Quando chegou o dia da viagem, em maio de 1996, a brasileira foi presa no aeroporto de Assunção, com quatro quilos de cocaína amarrados ao corpo. A prometida viagem para a terra das touradas, segundo ela, foi uma armadilha. O anúncio de emprego seria uma cilada de traficantes chantagistas. Ela conta que foi ameaçada de morte se não levasse a droga. Presa no Paraguai - e garantindo sua inocência - a londrinense tem a seu favor um passado de boa filha, trabalhadora, pacata e sem máculas policiais. A família e os amigos tentam sua defesa, mas encontram dificuldades, inclusive financeiras. Na cela, Rosimary passa o tempo esperando o julgamento e fazendo desenhos com temas religiosos. Um desses trabalhos manuais é exibido na foto pelos seus irmãos Jorge Custódio e Rosa Helena (à esquerda). Eles tentam vender os desenhos a outros brasileiros, que acreditam na inocência de Rosimary.





