Imagem ilustrativa da imagem Memórias de uma relíquia
| Foto: Fotos: Marcos Zanutto
O caminhão, modelo Mercedes Benz Magirus, foi fabricado em 1951 e usado pela corporação até a década de 1980



Completamente restaurado, o primeiro caminhão do Corpo de Bombeiros do Paraná está sendo preparado para uma nova fase. A relíquia recuperada pela equipe do empresário Pedro Barboza Lopes, de Londrina, vai virar peça de museu e participará apenas de eventos oficiais, como o desfile de 7 de setembro. Sua nova casa será uma redoma de vidro que será instalada em frente ao prédio do quartel da corporação, que deverá passar por uma grande reforma em 2017.
Mas a rotina, hoje tranquila, não lembra em praticamente nada o cotidiano agitado que o veículo viveu nas décadas de 1970 e 1980, quando foi peça fundamental em várias ocorrências na segunda maior cidade do Paraná. "Têm muitos integrantes do pessoal das antigas da nossa corporação que trabalharam com esse caminhão que vão hoje ao batalhão e choram, porque marcou uma época do nosso trabalho. Ele foi importante", frisa o major Ricardo Jammes Teixeira.
O bombeiro entrou para a corporação na segunda metade da década de 1980 e trabalhou pouco com o caminhão. Mas a memória resgata passagens que ele vê passar como um filme após ver o veículo totalmente reformulado. "Esse caminhão foi muito usado para assuntos diversos, até para resgatar animais em árvores o pessoal pedia esse carro por conta da escada. Lembro também uma vez que ele foi usado em um incêndio na Vila Brasil (centro), então é uma parte importante da história da cidade e também do Corpo de Bombeiros do Paraná que foi resgatada", relembra.
Um dos mais encantados com a nova versão do caminhão, o cabo Salvador Sidnei de Oliveira tem motivos para tanto. Foi ele o responsável por dirigir o "bruto" entre 1986 e 1988, ano em que a máquina foi praticamente aposentada pelo mau estado de conservação. "Conforme os mais antigos foram se aposentando, eles foram me ensinando a dirigir. É um caminhão pesado, esterça só 30 graus, e atualmente só eu dirijo ele", contou o bombeiro, que está próximo da aposentadoria e já prepara um substituto para a função.
Entre todas as ocorrências atendidas a bordo do Mercedes Benz Magirus, uma é emblemática para o cabo. "Pouco antes do carro sair de circulação, teve um incêndio num prédio na esquina da Rua Brasil com a Avenida Celso Garcia Cid (centro); nós usamos ele e conseguimos tirar uma família inteira pela janela. Era um prédio bem antigo e o corredor estava todo tomado de fumaça, o que impedia nosso acesso aos apartamentos mais altos. Para tirar o pessoal de lá, só com o equipamento externo mesmo", recorda o bombeiro.

TRÊS ANOS
Totalmente deteriorado pela ação do tempo, o caminhão, modelo Mercedes Benz Magirus, fabricado em 1951, foi restaurado pela equipe do empresário Pedro Barboza Lopes. O processo durou pouco mais de três anos e deixou o veículo novinho em folha. Ele foi finalizado em 2014 e o caminhão foi entregue de volta à corporação no aniversário de 80 anos de Londrina.
Chefe da equipe de restauração, José Carlos Sarri revela que o maior desafio foi reformar a cabine. "Ele tinha uma dificuldade grande, por ser muito antigo não tinha mais peça. Inclusive, a cabine dele foi totalmente refeita manualmente, parafuso por parafuso, e montamos tanto o motor quanto a parte da lataria", descreve.
Todas as características foram mantidas exatamente como o caminhão saiu da fábrica. "Todo o equipamento é original da época em que foi feito. Ele é todo rústico, é um motor do tempo de guerra", detalha Sarri.
Por dentro, algumas peças chamam mais a atenção, como os bancos em couro branco. O símbolo da montadora foi importado da Alemanha, pois já não existe mais disponível para venda no Brasil. Outro detalhe é a escada Magirus, que alcança 30 metros de altura, e também foi totalmente refeita. "É uma emoção muito grande, da gente olhar e nem acreditar o que foi feito. É um privilégio", completa Sarri. "Acompanhei a restauração durante os três anos, e ficava motivado toda vez que eu via. Ficou lindo demais", elogia o cabo Salvador.

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