Célio Nóbrega com a filha caçula Célia e a mulher Aparecida
Célio Nóbrega com a filha caçula Célia e a mulher Aparecida | Foto: Ricardo Chicarelli



Jaguapitã - Primeira República, duas guerras mundiais, Era Vargas, Ditadura Militar e Redemocratização. O que para muitos pode ser encontrado apenas nos livros de história, para Célio Nóbrega está guardado na memória. Morador da zona rural de Jaguapitã (Região Metropolitana de Londrina), o senhor de semblante calmo e sorriso fácil completou no dia 13 de janeiro 101 anos de vida. Se a idade é elevada, sua saúde é ainda maior. Precisa tomar apenas um remédio diariamente.

"É uma pessoa animada. Nunca foi de fumar ou consumir bebidas alcoólicas e com ele não tem tempo ruim. Não é mal-humorado e não reclama de dor. É uma bênção para a todos nós", resume a filha mais nova, Célia Regina Nóbrega, 47. Familiares para se alegrarem com a vida de Nóbrega não faltam. Além da caçula, são mais duas filhas (a terceira faleceu), seis netos e cinco bisnetos. "Adora ver a casa cheia", acrescenta.

Antes de chegar ao lugar onde vive atualmente com a mulher Aparecida Luzia Ramos Nóbrega, 78, a caminhada do centenário foi longa. Natural de Santos, no litoral de São Paulo, começou trabalhando em todas as etapas da produção do café junto com o pai. Formou-se em economia, quando foi para a capital paulistana com o intuito de ingressar na carreira militar. A baixa estatura, porém, deu a ele apenas a oportunidade de ser mensageiro. "Ia ficar correndo para lá e para cá levando carta. Disse: 'eu não' e saí", conta.

RECOMEÇO
Um anúncio no jornal mudou os trilhos que estava seguindo. O comunicado oferecia uma oportunidade para trabalhar como 'camarada' em Ribeirão Claro (Norte Pioneiro). Sem saber o que era isto, ele e mais dois amigos se aventuraram somente com os blazers que vestiam. Ao chegarem em terras vermelhas, encontraram um terreiro de café e foi então que descobriram que o camarada era o serviço pesado nas lavouras cafeeiras.

Apesar do susto inicial não se intimidaram e começaram a trabalhar na fazenda Monte Belo, hoje um dos museus vivos do café paranaense. "Passou um tempo e falei para o meu patrão que era ecônomo de formação e que meu pai era sócio de uma exportadora de café em Santos, mas ele duvidou. Numa oportunidade ele foi para lá e buscou saber se era verdade. Encontrou meu pai, que não sabia do meu paradeiro há três meses, e na volta ainda trouxe minhas malas que tinha deixado", relembra.

Acabou promovido para o escritório da fazenda, onde cuidou da contabilidade. Na década de 1940 mudou-se para Jaguapitã, após ficar um período em São Paulo. Foi convidado a fazer parte do quadro de funcionários da fazenda Maragojipe, referência no meio rural. Entre as maiores produtoras de café do Paraná na época, a propriedade chegou a manufaturar dez milhões de sacas e contava até com mercearia, farmácia, escola, marcenaria e cinema, em que Célio Nóbrega foi um dos projetistas.

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