Memorial terá piso tátil para cegos
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sábado, 29 de abril de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O bom exemplo, desta vez, veio do poder público. O Memorial do Pioneiro, que está sendo construído na Praça 1º de Maio (Área Central de Londrina), vai contar com piso tátil para melhorar o acesso de pessoas com deficiência visual, seguindo orientação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mas os beneficiados pela iniciativa ainda têm pouco o que comemorar porque: a calçada especial está restrita a pouquíssimos endereços do Centro da cidade e isso pode confundir quem não enxerga; o espaço que rende homenagens as primeiros desbravadores da cidade não contará com outras adaptações para deficientes.
O secretário municipal de Cultura, Luciano Bitencourt, aponta que o piso tátil se estenderá por toda a Rua Maestro Egídio e a médio prazo a idéia é colocar esse tipo de calçamento para todo o quarteirão. Mas as adaptações para uso dos deficientes no espaço do Memorial param por aí. Os tótens que serão instalados, por exemplo, não terão versão em braile ''porque a técnica de reprodução não daria a fidelidade necessária''.
Segundo a diretora de projetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Eliza Koyama, desde quando foi lançada a nova normalização para facilitar a acessibilidade e mobilidade de deficientes visuais, em 2004, a Prefeitura tem buscado orientar construtores e proprietários de imóveis, sobretudo os do anel central, para se adequarem. O Ippul publicou uma cartilha sobre o assunto que ainda está disponível no órgão.
Mas Eliza admite que a eficácia da norma ainda deixa a desejar por causa das descontinuidades no piso das calçadas, já que a grande maioria ainda não se adequou. Ela lembra que a orientação da ABNT só terá força legal quando um projeto de lei sobre o assunto for aprovado pelo Município.
A julgar pelo que dizem os profissionais da área, o piso tátil ainda ''não pegou'' justamente porque é pouco conhecido. ''Ainda não existe um conhecimento generalizado. Talvez falte um pouco mais de divulgação da norma'', comenta o arquiteto Elsio Roberto de Melo. Ele opina que as campanhas de orientação deveriam focar primeiro os profissionais da área, em seguida empresários do setor imobiliário e, por fim, os clientes em geral. Melo destaca ainda que as péssimas condições das calçadas com desníveis, degraus, partes quebradas contribuem para aumentar os riscos, tanto para pessoas com deficiência como para os demais usuários.
O fabricante Francisco Pereira, um dos primeiros a comercializar o piso tátil na cidade, confirma o pouco interesse. De acordo com ele, a procura sempre foi baixa nos oito anos de produção mesmo com preços atrativos. ''Vendo por R$ 12,00 o metro quadrado que vem com 11 peças. Dá pouco mais de R$ 1,00 por peça'', aponta. As vendas do piso especial representam apenas 5% de seu faturamento.


