''Memória na árvore'' é o mais recente projeto de Luiz Ribeiro Castro Carvalho (''Luizão''), referência nacional por seu parque ecológico em Jaboti, a 20 quilômetros de Ibaiti. Numa casca de peroba queimada, que está limpando sulco por sulco, pretende colocar os nomes das famílias pioneiras do município.
''Há muitos filhos de Jaboti hoje morando em outras cidades e eu quero mostrar, aos que nos visitarem, que as raízes deles estão aqui'', diz Luizão. ''E que se tiverem dinheiro sobrando, invistam aqui, onde nasceram.''
O resto de peroba foi encontrado numa propriedade próxima servindo de bebedouro ao gado. Valendo-se da habilidade de marceneiro, Luizão fez um cocho de eucalipto e ofereceu ao vizinho, em troca. O pedaço de casca mede aproximadamente cinco metros, sua dureza é impressionante; Luizão estima que a árvore tivesse 500 anos, pelo menos, ao ser derrubada.
A maioria dos pioneiros de Jaboti veio de Minas Gerais, a exemplo do próprio Luizão, o maior plantador de árvores do Brasil já na década de 80, quando foi distinguido pelo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) e o então Instituto de Terras e Cartografia do Paraná. Sem ser titular de reflorestamento com fins industriais, ele já havia plantado 102 mil árvores, predominantemente brasileiras. Atualmente, perdeu a conta, mas continua a plantar uma por dia, onde seja possível. Não só na própria terra, a Fazenda Ásia Menor, onde consolidou a sua reserva nos dez alqueires que eram, em 1961, quando chegou a Jaboti, parte mais estragada do lugar.(W.S.)

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