Memória O João e Nilson Rimoli
Conversando com o editor de fotos da Folha, Milton Dória, sobre fatos acontecidos no passado, na redação, citei o Nilson. E o Milton, curioso: Nilson Monteiro? Percebi, então, que o resgate a que me propus sobre pessoas que fizeram parte da nossa História deveria passar pela própria redação deste jornal para que se saiba que quando se cita, na Folha, Nilson, a gente está pensando em Nilson Rímoli e, também, em seu irmão mais velho, João, verdadeiros pilares que construíram a base do que é esta nosssa Folha de Londrina.
João Milanez, então diretor proprietário da Folha, trouxe Nilson e João quase que nos primórdios. Na época, muitos jornais surgiam e desapareciam em Londrina. O que fez a Folha se destacar e atingir o patamar atual foi, precisamente, a visão dos 3 que tinham na ética, na honestidade, na disposição de fazer o jornalismo sem partidarismos, crítico mas construtivo, a meta principal de seu trabalho.
Nilson foi a faculdade para muitos jornalistas (inclusive alguns até hoje nesta redação). Exigente, dedicado, um dos primeiros a chegar à redação e dos últimos a sair na época em que se começava a trabalhar às duas da tarde e se ia embora quando o jornal saia, pelas 4, 5 ou 6 da manhã seguinte Nilson imprimiu um padrão de redação elevado, exigindo de todos os que trabalhavam o máximo. Dele diziam que chegou até a corrigir texto de Ruy Barbosa. Pode ser invenção, mas é certo que corrigia tudo o que era publicado. Fazia o redator copiar e recopiar, melhorando sempre, até atingir o nível exigido. Formou jornalistas de qualidade e respeito.
João, mais velho, o principal redator do jornal, responsável pelo Editorial e por muitas colunas, era apontado pelo Nilson como braço direito, anjo da guarda, amigo incondicional e confidente leal. Era, também, o grande conselheiro e guia moral e espiritual de quase todos os que trabalhavam no jornal.
Foram embora da Folha e de Londrina pelo ano de 1965, deixando saudades mas, principalmente, lições. No comando da redação ficou, por muitos anos, Walmor Macarini, um dos que se formaram na faculdade Rímoli, junto com alguns outros como Oswaldo Militão, Carlos da Silva (que apenas recentemente deixou o jornal) e o responsável por esta coluna. Deixaram também a linha que a Folha segue até hoje de independência e ética. Não podem ser esquecidos pelas novas gerações.





