Instalada em um dos bairros mais tradicionais de Londrina, instituição celebra sete décadas de história nesta terça
Instalada em um dos bairros mais tradicionais de Londrina, instituição celebra sete décadas de história nesta terça | Foto: Gustavo Carneiro



Dezoito anos depois da primeira expedição da Companhia de Terras Norte do Paraná chegar a Londrina, Jorge Casoni doou à prefeitura, do então pequeno município, um terreno para a construção de uma escola. Em meio às ruas de terra vermelha e os vastos cafezais, um prédio de madeira, com apenas quatro salas, foi erguido para receber o Grupo Escolar da Vila Casoni. Era 1º de agosto de 1947, o dia que a "pequena Londres" inaugurou sua segunda escola.

Delegado de ensino da cidade na época, Newton Guimarães deu posse para a primeira diretora, oito professores e uma funcionária, designada como servente. Em 1955, o local ganhou o nome de Grupo Escolar Willie Davids, em homenagem ao primeiro prefeito de Londrina. Foi na metade da década de 60 que a estrutura de madeira deu lugar à alvenaria.

"Nesta época não tinha merenda e nem cantina. Usávamos um guarda-pó branco como uniforme. Tudo era escrito no quadro e o único livro quem tinha era a professora. Quando derrubaram o prédio de madeira, e vi aquela cena, chorei muito", emociona-se Maria do Prazer da Silva. Antes aluna, ela trabalha com serviços gerais na instituição há 25 anos.

Anos mais tarde veio o convênio com a prefeitura para o uso do Parque de Recreação da Vila Casoni, para as aulas de educação física. Posteriormente, o espaço acabou derrubado para dar lugar à quadra da escola. Naquele tempo, o estabelecimento de ensino oferecia somente o 1º grau, passando a atender alunos de 5ª a 8ª série em 1989. Completados dez anos deste episódio, o Colégio Estadual Doutor Willie Davids – Ensino Fundamental e Médio recebeu a designação que leva até hoje. Até hino e bandeira própria foram criados.

Tania Maria Capucho é uma das figuras do colégio que guardam com saudade as décadas passadas. Sua mãe foi professora na instituição e ela também estudou no local. O laço criado foi tão grande, que seguiu o caminho da pedagogia e escolheu o Willie Davids para lecionar. "Fiz estágio da faculdade aqui e após terminar fui escolher a escola que iria dar aula. Parece que foi predestinado minha vinda para cá. Quando entrei na sala para escolher, a pessoa já falou que tinha vaga para onde eu queria sem eu ao menos falar. Trabalhei neste colégio por 24 anos", destaca.

REFERÊNCIA
Ao longo destes 70 anos, muitas são as histórias sobre o passado da escola. Para a professora de história Josiane Alves da Silva, que também estudou na instituição, as festas juninas e fanfarras eram o ponto alto do ano letivo. "As festas que fazíamos eram muito movimentadas e animadas. Lotava de pessoas de todas as partes de Londrina para participar", conta. "O esporte na nossa escola também era muito forte. Tínhamos um professor que incentiva a prática e os alunos gostavam. Principalmente no handebol, ganhamos diversos prêmios e éramos reconhecidos em todas a região por isso", relembra Alexandre Orsi, professor desde 2002.

A escola também era referência por sua prestação de serviço junto a comunidade, além da integração com um sistema educacional bem diferente do que conhecemos hoje. "Existia um consultório odontológico na escola. Eu mesma saía da aula e ia para o dentista na minha época de estudante", revive Silva. "Nós dispusemos de uma cooperativa escolar no passado e ainda recebíamos aulas de crochê, cozinha e técnica comercial. Tudo dentro da grande escolar", completa Capucho.

Tanto tempo depois, o Colégio Estadual Willie Davids elenca com orgulho os diversos profissionais que passaram pela instituição. "Realizei muitas formaturas com jantar dançante no pátio da escola para valorizar o que tínhamos. Fui diretora em um tempo que os pisos eram de tacos e o jeito para cuidar era através de cera", recorda Marly Rett, que ainda trabalhou como professora e supervisora, totalizando 18 anos de serviços prestados.

Funcionários e ex-funcionários do colégio
Funcionários e ex-funcionários do colégio | Foto: Ricardo Chicarelli



DEDICAÇÃO DE UMA VIDA
Funcionários mais antigos, o professor de português, Moacir Forim, e a colaboradora do setor administrativo, Ivone de Lima Gianelli, conhecem como poucos a escola. Com toda uma vida dedicada ao Willie Davids, eles já se preparam para aposentar. Ele está no colégio há 23 anos, enquanto ela trabalha há 32. Antes do dia da despedida chegar, ambos querem aproveitar cada momento com os alunos e colegas.

"Aqui criei meus filhos e o carinho que recebo de todos é muito bom e me faz bem. Me dá vigor para trabalhar", afirma Gianelli. "Essa escola representa a minha vida e foi onde consegui conquistar o que tenho. Se não morrer até o final do ano, espero poder me aposentar aqui", brinca Forim.

mockup