Ibiporã - Entre as 24 capelas de Ibiporã, cujas histórias foram recuperadas e catalogadas, está a Jesus Bom Pastor. Ela está localizada no bairro Bom Pastor, próximo ao centro da cidade, e a relação com a história da cidade está ainda mais viva. As obras do artista plástico Henrique de Aragão, pernambucano radicado em Ibiporã, ajudam a reforçar este elo. Inaugurada em 1980, a capela é um dos memoriais artísticos de Aragão, responsável pelo projeto arquitetônico de traços românicos.
Do lado de dentro, as várias esculturas em latão, incluindo o altar, deixam o local ainda mais bonito e reforçam a espiritualidade. "A arquitetura chama bastante a atenção de quem passa por aqui, são obras lindas do Henrique Aragão, que é um artista daqui, e isso ajuda a preservar a nossa história também", salienta o aposentado José Pereira, um dos guardiões das chaves da capela.
As festas e quermesses que tanto animaram no passado já não existem mais, mas a capela continua sendo um dos principais pontos de encontro da comunidade. "Tem catequese, casamento e batizado, e tudo que é preciso", reforça o aposentado, que mora em Ibiporã desde 1961 e no bairro há 43 anos. Segundo ele, as missas ocorrem em todos os domingos, com a presença média de mais de 150 pessoas.

MISSAS
No bairro de Poço Bonito, aproximadamente 15 famílias ainda moram por lá. As missas na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro acontecem apenas duas vezes ao mês, mas o legado para o acervo da município é imensurável. "Hoje meus três filhos moram na cidade, mas foram batizados e crismados aqui. E assim foi com muita gente depois que o café acabou", relata a trabalhadora rural aposentada Maria das Neves Silva Messias, de 57 anos.
Recordações resgatadas que mexeram com famílias inteiras e que inspiram a Fundação Cultural a continuar o trabalho. "O projeto não é só o Circuito das Capelas, já vem desde 2005, que é o Compêndio, no qual recuperamos toda a história do município desde o descobrimento do Brasil. Depois veio o ‘Contos e Causos’. A cidade começou com as capelas, pessoal chegava e ia para as comunidades, nas lavouras e lá formavam famílias e os espaços de convívio. É interessante, pois estamos mexendo com o sentimento das pessoas, que estão se sentindo valorizadas", explica o secretário de Cultura de Ibiporã, Júlio Dutra.
"Acho muito bom, porque a gente volta lá no passado. Do lado debaixo tinha a escolinha onde fiz meu primeiro ano, tinha um campo de futebol, que era a diversão do pessoal dos domingos. Revendo tudo isso a gente vai voltando no tempo e é muito importante isso também, senão vai caindo no esquecimento", valoriza dona Maria José Ribeiro Sartori, que é parte da história da Barra do Jacutinga.
Os documentários estão sendo exibidos nas comunidades com festas juninas. O projeto já fez nascer a ideia de fortalecer ainda mais esse vínculo histórico através da potencialização do turismo rural, com a formação de um circuito de visitas às capelas, resgatando eventos da época, como almoços com comidas típicas, além da venda de produtos típicos.

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