Depois de terem protocolado na Justiça uma série de denúncias de tortura e maus tratos que estariam sendo cometidas contra detentos de unidades penais terceirizadas no Paraná, integrantes de organismos de defesa dos direitos humanos e do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Paraná (Sinssp) pediram proteção à Justiça por supostas ameaças de morte. O fato foi relatado à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA) que, na última semana, solicitou providências ao governo brasileiro.
Em 5 de agosto, o coordenador da regional Sul do Movimento Nacional de Direitos Humanos e coordenador estadual do Projeto S.O.S. Tortura, Jorge Custódio, revelou ao Ministério Público que, no dia anterior, uma colega advogada teria ouvido comentários de que dois ex-presidiários ''teriam que fazer um serviço contra um advogado cuja família reside no Conjunto Vivi Xavier''. Custódio mora no bairro e já vinha recebendo ameaças que, acredita, têm ligação com as denúncias feitas. O advogado reclamou ao promotor Janderson Camões de Carvalho Iassaka que não recebia a proteção devida.
Custódio relatou ao promotor que, um dia depois de denunciar casos de tortura no sistema penitenciário, sua empregada foi abordada por dois homens em um veículo Corsa, interessados em saber onde era a casa dele. No mesmo dia, sua esposa que pediu sigilo de identidade teria sido seguida no trânsito por um Tempra ocupado por dois homens.
Depois disso, o relato foi repassado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA. A delegada regional do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná (Sinspp), Alessandra Celestino, outra a revelar casos de torturas de presos em prisões paranaenses, também solicitou proteção.
Em 12 de agosto, a Comissão pediu ao ''Governo do Brasil que implementasse medidas cautelares'' de segurança, as quais seriam a adoção, através da Polícia Federal, de todas as medidas de segurança necessárias à proteção da integridade pessoal e de vida dos denunciantes; e a investigação da origem das ameaças e punição dos responsáveis. Em 20 de agosto, o secretário-adjunto da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Mário Mamede, oficiou a direção geral da PF e a Secretaria de Estado de Segurança Pública para que garantissem proteção policial aos denunciantes.
A assessoria da Delegacia da Polícia Federal em Londrina informou que até ontem à tarde não havia recebido nenhum documento oficial requisitando a proteção de pessoas ligadas às denúncias e a investigação das supostas ameaças. Mesmo posicionamento teve a assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública. O coordenador-geral do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), coronel Justino Sampaio, também foi procurado mas não retornou o contato feito com seu gabinete até o fechamento desta edição.

mockup