Cerca de 30 alunos que participam do projeto Circo da Alegria já atuam como instrutores em Toledo e em 18 município vizinhos. ''Existe falta de instrutores de circo no país. Por isso criamos uma empresa, o Circo Ático. Através dela, nossos alunos mais experientes podem concorrer em pregões e licitações realizados por prefeituras para contratá-los para atuar em projetos sociais'', afirma a coordenadora do projeto, Tânia Piazzeta.
Segundo ela, essa possibilidade tem servido de estímulo para os alunos. ''Os instrutores recebem, em média, R$ 700 por mês para dar aulas duas vezes por semana.'' A estudante Poliana Aparecida Coelho já vive essa realidade. Aos 17 anos, ela já acumula duas funções remuneradas como instrutora de circo. ''Trabalho como estagiária do Peti e em um projeto social desenvolvido no município de Tupanssi, que fica a 30 quilômetros de Toledo'', revela.
Ela ressalta a importância do Circo da Alegria. ''Comecei a ter aulas de circo aos 5 anos e depois de 12 anos como aluna passei a instrutora. Estou concluindo o terceiro ano do Ensino Médio e esta semana faço meu primeiro vestibular para o curso de Educação Física. Mas o circo eu não abandono nunca; graças ao projeto estou conseguindo ajudar financeiramente minha mãe, que ficou viúva há quatro anos, e a sustentar meus três irmãos.''
O exemplo de Poliana é seguido por outros alunos. ''Eu quero me profissionalizar no circo e me tornar um instrutor. Há dois anos eu faço parte do projeto e adoro as todas as aulas de trapézio, contorcionismo e, principalmente as oficinas de palhaço'', afirma o estudante Tiago da Costa, 12 anos. ''Eu ficava em casa assistindo desenho na TV sem ter nada de interessante. Há seis anos entrei para o Circo da Alegria e nunca perco uma aula'', ressalta Luiz Felipe da Silva.
Além de atuar com as crianças de forma preventiva, as técnicas circenses também têm ajudado a melhorar o desempenho escolar. ''É muito fácil perceber a diferença entre as crianças que fazem aulas de circo dos demais alunos. Quem participa do Circo da Alegria aprende a se comunicar melhor, atua como líder na sala de aula e se torna mais participativo nas questões da escola. O resultado é sentido pela melhoria das notas deles'', afirma a diretora da Escola Municipal Anita Garibaldi, Joceli Acioli. (M.R.)

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