Um dos participantes do projeto de remição pela leitura em Londrina é Ermínio Tomaz, de 27 anos, que cumpre pena na unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) por quatro condenações: latrocínio, tráfico de drogas, assalto e corrupção de menores. A iniciativa de participar do projeto foi dele. "Eu ouvi no noticiário que as unidades estavam oferecendo esta oportunidade e me ofereci a participar", relatou. Com o ensino médio incompleto, ele relata que o primeiro livro escolhido foi "O Crime de Padre Amaro", de Eça de Queirós, opção feita no começo deste ano. Tomaz está concluindo o ensino médio e pretende prestar vestibular para Psicologia. "Eu quero ajudar as pessoas", afirmou o detento, que está preso há quatro anos e meio e tem mais cinco para cumprir.
Ele destaca que pela leitura é possível interagir com a história. Atualmente, está lendo uma versão paradidática da obra "Dom Quixote". "Quantas vezes eu me peguei dando risadas sozinho", relatou. Ele afirma que o fato de não poder levar um dicionário para sua cela, o obriga a deduzir qual o significado da palavra pelo seu contexto. A pedagoga da PEL 2 Míriam Medri Nóbrega ressalta que, depois da participação de Tomaz no projeto, ele adquiriu um novo semblante. "Ele está com um olhar mais alegre", aponta.
Atualmente a biblioteca da PEL 2 conta com 2.240 livros e há mais de 200 presos participando do projeto na unidade. Míriam ressalva que o projeto não consegue chegar a todos os detentos por falta de pessoal, principalmente de professores e agentes penitenciários para fazer a movimentação dos apenados.
Para o vice-diretor da unidade, Edmir Cardoso da Silva, a avaliação do projeto é positiva. "Para os que buscam se desenvolver, houve uma melhora importante no dia a dia. Percebemos que isso contribuiu positivamente, oportunizando às pessoas que não tinham acesso uma maneira de crescer", afirma. (V.O.)

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