Em fevereiro de 2007 João envolveu-se em uma troca de tiros e foi apreendido sob a acusação de tentativa de homicídio. Foi encaminhado para a Delegacia do Adolescente e passou um ano em dois Centros de Sócio-Educação (Cense). Depois que voltou à sociedade, participou de algumas atividades de ressocialização e, ainda assim, durante o período de liberdade assistida, envolveu-se novamente com o tráfico de drogas. ''É a maneira mais fácil de ganhar dinheiro. Quando tem alguém de atitude, que sabe que dá pra confiar, a gente sai pra roubar, mas como não tem, fica na vila vendendo droga'', conta.
Dinheiro que vem fácil, também vai fácil. ''Você sempre gasta com tudo, gasta para sair, curtir, sempre arruma alguma coisa pra gastar, chama um amigo e come pizza, se um não tem dinheiro você vai lá e banca'', diz João.
Nem mesmo o risco de morrer é maior do que a tentação do lucro fácil. ''Medo dá, mas fazer o que? Precisa. Só tenho medo mesmo é de voltar a ser preso'', confessa. ''Depois que você já está envolvido, você sabe que está correndo risco, você que escolheu, só que para muita gente, é melhor morto do que preso.''
Depois de passar pela experiência de ficar detido, João acha que o sistema não ajuda na recuperação. ''Lá dentro você encontra pessoas que fizeram coisas piores que você e de certa forma você se habitua, aquilo ali se torna normal. Você sai e a tendência é piorar.'' De volta à liberdade, a reinserção é mais difícil do que parece. João fez um estágio, mas isso não o ajudou a enxergar perspectivas diferentes para o futuro. ''Você se sente fora do seu lugar, o jeito que os caras conversam já diferencia bastante. Seria uma possibilidade se fosse coisa comum você estudar, se formar, mas não é.''

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