Qual o segredo de uma velhice saudável? Para a moradora de Londrina Laura Castilho Carvalho, de 75 anos, é fazer exercícios e ter uma alimentação balanceada, mas principalmente ter uma convivência próxima com a família e estar sempre em contato com as amigas. ‘‘Muitas vezes a gente tem que dar o braço a torcer, nem sempre é o mais velho quem tem razão’’, brinca.
Para Olga Ortega de Oliveira, de 72 anos, a caminhada diária no Zerinho do Bosque, na região central da cidade, é um dos segredos. Ir à missa todos os dias, participar de grupos de oração e de terceira idade, fazer trabalhos manuais e ter muitos amigos são outras práticas para uma vida ativa e saudável. ‘‘Isso não deixa a gente desanimar’’, ensina.
Estar de bem com a vida e manter o equilíbrio emocional, além de boa alimentação e exercícios físicos diários fazem parte da rotina da dona de casa Zilda Luciane Nunes, de 62 anos. Além disso, a boa convivência com a família e a companhia da cachorrinha de estimação lhe garantem disposição e alegria. ‘‘Quem está de bem com a vida não envelhece’’, afirma.
As três senhoras são exemplo de vivacidade em Londrina, onde vivem cerca de 43 mil idosos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E a atitude delas é elogiada por profissionais de geriatria, que garantem - uma velhice com saúde depende de cuidados com o corpo, a auto-estima e a espiritualidade.
‘‘A vida social é fundamental. Ter convívio com a família e amigos, e atividades que ocupam a mente, resulta em uma melhor qualidade de vida e isso pode fazer até com que a pessoa viva mais’’, explica o geriatra Rodolfo Augusto Alves Pedrão, do Hospital Vita Curitiba.
O geriatra Marcos Cabrera, de Londrina, aponta para a possibilidade real de envelhecer bem. ‘‘O que faz as pessoas acharem que não é possível é a grande prevalência de ‘pepinos’, mas é possível uma boa qualidade de vida’’, afirma.
Cabrera explica que são três os pilares para uma vida saudável na velhice - a alimentação, o nível de atividade física e o fato de evitar sol e cigarro, potencializadores do envelhecimento. A alimentação, com prevalência de frutas e verduras e o mínimo de gordura, explica o médico, influencia inclusive no aparecimento de doenças. ‘‘A gente envelhece de acordo com o que come. E hoje, já se sabe que doenças como o câncer e o Alzheimer tem ligação mais forte com a alimentação do que com a genética’’, explica. Já o exercício físico tem uma proporção favorável - quanto mais ativa é a pessoa, enfatiza Cabrera, menor a quantidade de doenças crônicas e incapacidade física.
Necessidades físicas satisfeitas, é necessário cuidar também do espírito, da afetividade, e da sexualidade. ‘‘Pesquisas mostram que quem tem atividade espiritual acaba lidando melhor com as doenças e vivendo mais. Da mesma maneira, quem tem relacionamento afetivo duradouro, vive melhor e tem menos doenças. E a sexualidade é mantenedora da saúde física’’, enfatiza.
Um dos problemas, à medida que a idade avança, aponta a secretária municipal de Saúde, Cristina Coelho, é que também aumenta a vontade de se isolar. Isto acontece principalmente porque o idoso deixa de pertencer à classe trabalhadora e gerar produção, no sentido econômico. Com isso, a auto-estima cai e o idoso pode entrar em depressão. ‘‘Nossa maior preocupação hoje é garantir que o idoso tenha vivência com sua família e a comunidade em que vive, em detrimento da vida asilar’’, aponta.
‘‘A falta de atividade profissional aumenta a incidência de doenças crônicas e a mortalidade. A aposentadoria é uma coisa boa, mas pode ser ruim se o idoso não arranjar outra coisa para fazer’’, finalizou Cabrera.

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