Melhor atendimento para vítimas de LER
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terça-feira, 17 de abril de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Um evento organizado pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, discute hoje, no auditório da Universidade Norte do Paraná (Unopar), a implantação do protocolo e capacitação de funcionários para tratamento das doenças relacionadas ao trabalho, conhecidas como Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Doenças Ósteo-musculares Relacionadas ao Trabalho (Dort).
A função do protocolo é facilitar o trabalho de recuperação dos pacientes. Hoje, o paciente atendido numa Unidade Básica de Saúde precisa esperar de quatro a seis meses por uma consulta com um especialista. O problema é que, nesse período, normalmente não se consegue o afastamento pelo INSS. Assim, o trabalhador continua desempenhando a função e agravando a lesão.
Foi isso que aconteceu com a auxiliar de odontologia, Clenilda Manzoni, 31 anos, que trabalha numa UBS da Zona Sul. Ela sofre da síndrome do desfiladeiro torácico, que a impede de desenvolver suas funções.
''O problema começou com uma dorzinha no braço. Depois, passei a sentir formigamento e dormência no braço e a mão ficava roxa. Só fui melhorar com tratamento com fisioterapia e hidroterapia'', comentou Clenilda.
Para o fisioterapeuta José Giuliangeli de Castro, especialista em saúde pública, o número de casos tem aumentado muito, principalmente por causa do crescimento do nível de exigência do mercado de trabalho. Outra dificuldade apontada por ele é a necessidade de encaminhamento por médico do SUS para afastamento pelo INSS.
''Como essa consulta é demorada, o paciente precisa pagar um médico particular para conseguir o afastamento e depois passar pelo profissional do SUS para ter esse encaminhamento'', explicou Castro. O fisioterapeuta alega que o Cerest tem estrutura insuficiente para atender aos 20 municípios da região de referência.
A fisioterapeuta do Cerest, Claudete Romaniszen, explicou que o órgão faz parte da Rede Nacional de Saúde do Trabalhador. Ela garantiu que a demora não ocorre em casos de emergência. ''Em alguns casos, a equipe do posto de saúde detecta a urgência e o paciente tem prioridade no encaminhamento'', destacou.
O órgão é o responsável pela organização do seminário, que é dirigido a profissionais do Programa Saúde da Família, das vigilância Sanitária e Epidemiológica de Londrina, e da macro-região norte do Paraná, para discutir a implementação do protocolo.
À noite, o médico Paulo Roberto Kaufmann faz palestra dirigida a médicos do trabalho, ortopedistas, neurologistas, fisiatras e reumatologistas. O tema é: ''LER/Dort: Saúde, Trabalho e Doença.'' Kaufmann é médico do trabalho da Secretaria de Estado da Saúde, no Cerest de São Paulo, e participou da elaboração do protocolo. A palestra será às 19 horas no auditório da Associação Médica de Londrina.
O Cerest oferece auxílio médico e encaminhamento jurídico em casos de LER ou Dort. O centro faz parte da Rede Nacional de Saúde do Trabalhador, que abrange o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal, e seus funcionários já passaram por capacitação para doenças relacionadas ao trabalho no segundo semestre de 2006.


