Rua Araguaia, 589. Vila Nova. Há 50 anos, este endereço é o lar pelo menos por uma noite de moradores de rua de Londrina e região e viajantes. Fundado em 11 de maio de 1953, o Albergue Noturno Raul Faria Carneiro celebra meio século de assistência social com eventos comemorativos e preparação para o inverno, período de maior procura pela pernoite, alimentação, agasalhos e cobertores.
A instituição tem hoje capacidade para atender 76 pessoas 56 homens e 20 mulheres. A média de atendimento no primeiro trimestre, no entanto, foi de 50 necessitados. De acordo com a presidente do albergue, Maria Júlia Barros, a procura reduzida se deve ao clima. ''Nesta época, sem frio ou chuva, muitos possíveis albergados preferem ficar tomando conta de carros para conseguir algum dinheiro e acabam por dormir nas ruas'', explica. No inverno, a procura deve aumentar bastante. Durante o ano passado, foram feitos 14.018 atendimentos de pernoite.
As regras de recebimento dos sem-teto e viajantes são rígidas. A entrada é aberta das 18 às 20 horas. Na portaria, os interessados passam por triagem, são cadastrados e recebem roupas limpas e sabonete para o banho. Pessoas alcoolizadas não são aceitas. Também é proibido fumar no local. O limite normal de permanência é três pernoites, mas pode ser aumentado de acordo com cada situação. ''Cada caso é analisado separadamente para não cometermos injustiças'', garante Maria Júlia. Nos meses mais frios, o recebimento para pernoite é feito até 23 horas e o consumo de alimentos, agasalhos e cobertores também cresce.
Idosos sem vínculo familiar na cidade e pacientes em busca de vagas em hospitais da cidade chegam a ficar meses. Os internos que arrumam emprego podem permanecer hospedados até receber o primeiro salário e conseguir local para morar. Outro público assíduo são os viajantes. Moradores de cidades vizinhas, como Rolândia, Sertanópolis, Cambé, Bela Vista do Paraíso, vêm a Londrina para fazer agendamentos e consultas médicas e buscam abrigo por apenas uma noite.
Presidente da entidade há dois anos, Maria Júlia atua como voluntária por mais de duas décadas. ''É um tipo de trabalho que me dá prazer e é possível ver o resultado. Prefiro, por exemplo, trabalhar com pessoas sem-teto a crianças. Tem mais a ver com a minha personalidade'', diz. A instituição tem dez funcionários, entre porteiros, cozinheiras, motorista, assistente social e auxiliares de serviços gerais. Cerca de 50 voluntários colaboram com serviços internos e externos.

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