Qual sua reação se um caminhão começasse a despejar lixo em um fundo de vale próximo a um córrego? E se visse pessoas cortando árvores ou aprisionando animais na calada da noite? Segundo especialistas, a participação da população na preservação é a principal medida para diminuir as agressões ao meio ambiente. Mas será que os órgãos de fiscalização que atuam em Londrina dariam conta de atender os chamados?
Representantes de conselhos ambientais, câmaras técnicas e do Ministério Público reconhecem que as instituições de defesa do meio ambiente que atuam em Londrina têm estrutura deficiente para atender a demanda local e regional.
O advogado e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), regional de Londrina, Carlos Eduardo Levy, destaca que Londrina é uma das poucas cidades brasileiras que tem órgãos fiscais das três esferas de governo - a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema), o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) - e mesmo assim tem atuação preservacionista deficiente. ''Tem fiscais da Sema que vão trabalhar de ônibus'', revela.
Levy ainda aponta que, além das instituições possuírem equipes insuficientes, os fiscais não atuam exclusivamente na região e têm muitas outras atribuições. ''Em relação ao Ministério Público, por exemplo, a promotora de Defesa do Meio Ambiente também é responsável pelas promotorias de Pessoas Portadoras de Deficiência. Não tem como ela dar conta de tudo.''
A própria promotora Solange Vicentin reconhece: ''É muito trabalho, mas eu tento conciliar. A questão é que Londrina foi pensada no começo, mas as leis municipais vão modificado o planejamento conforme os interesses. Aí fica complicado.'' Ela também identifica que existe uma falta de sintonia entre os órgãos de proteção da natureza, apesar da legislação ser clara sobre a atribuição de cada um deles.
Para o coordenador da Câmara Técnica de Meio Ambiente do Clube de Engenharia e Arquitetura (Ceal) de Londrina, Henrique Lucke, além de faltar fiscais, muitos não são qualificados para o cargo. ''Não adianta só multar, tem que orientar e para isto os técnicos devem ser capacitados, entendidos do assunto, e poucos são habilitados assim'', afirma.
O presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina (Consemma), Fernando de Barros, compartilha da análise de Lucke e complementa: ''As pessoas precisam entender por que não podem fazer determinadas coisas, e não deixar de fazer só porque a lei manda'', argumenta.
Os quatro especialistas enfatizam a necessidade de participação da população na preservação. Barros se apóia na Constituição Federal: ''Todo cidadão tem direito de lutar pela preservação do meio ambiente'', aponta. Mas é Carlos Levy, da OAB, quem, além disto, sugere a criação de um número de denúncias ambientais. ''Funcionaria como uma Central de Triagem. Agilizaria o atendimento e facilitaria para a população que não tem paciência para ficar ligando em vários órgãos até achar o certo'', esclarece.

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