Meio a meio - 50% negam órgãos para doação
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de agosto de 1997
Edmara Michetti e Josiane Schulz Londrina 
Reprodução
Metade das pessoas com mais de 21 anos que procuram o Instituto de Identificação no Paraná para fazer a carteira de RG são doadoras de órgãos e tecidos. O índice de doadores aumentou em 10% no Estado desde a lei que criou a doação compulsória. A informação é do próprio Instituto de Identificação que, vinculado à Polícia Civil, atua em todo o Estado através de 381 postos no interior e 15 em Curitiba.
A lei federal foi criada em 5 de fevereiro e regulamentada um mês depois. Ela determina que se a pessoa não quiser doar os órgãos deve tirar novo documento constando essa vontade.
ReproduçãoAcima, exemplo de carteira de identidade de um doador e abaixo, de um não-doador, em que consta, em letras maiúsculas a inscrição Não doador de órgãos e tecidos
Em abril, os três postos do Instituto de Identificação de Londrina emitiram 2.926 RGs. Dessas, 1.488 optaram pelo documento normal, tornando-se doadores automaticamente. As outras 1.438 pessoas - 50 a menos - optaram por não doar órgãos e tecidos. Em maio, a Cidade fez 2.103 carteiras de identidade, sendo 1.132 de pessoas doadoras de órgãos - 161 a mais que os não doadores nesse mesmo período.
No número de carteiras emitidas com um modelo específico - que traz expressa a vontade do portador de não doar seus órgãos após a morte - estão computados os documentos emitidos para menores de 21 anos, que não estão na abrangência da lei federal. O Instituto de Identificação ainda não tem o balanço do mês de junho.
O delegado-adjunto do Instituto de Identificação do Paraná, Luís Fernando Artigas Júnior, afirma que todos os funcionários do órgão estão orientados a informar os usuários sobre a nova lei e as opções. A orientação é feita em todos os postos para todos que vão fazer RG, assegura. Nos postos não há cartazes informando sobre a nova lei.
Segundo Artigas, a falta de comunicação visual ocorre por falta de recursos. Mas o contato feito pessoalmente pelos nossos funcionários não traz qualquer prejuízo à informação do usuário. Artigas garante que a informação prestada pelos funcionários do Instituto é meramente técnica para não influenciar a decisão das pessoas. Artigas afirma que, logo depois que a lei foi criada, muitas pessoas que procuravam o Instituto preferiam adiar a emissão do documento para se decidir sobre a doação. Hoje, segundo ele, isso não acontece mais.
A partir da lei, quem não deseja doar seus órgãos deverá fazer uma nova carteira de identidade. A diferença entre os dois modelos de RG é que o de não doadores traz a frase, em letras maiúsculas: Não doador de órgãos e tecidos. A pessoa que vai fazer a carteira precisa revelar sua opção ao funcionário do posto. Com isso, os não doadores de órgãos terão que desembolsar uma taxa de R$ 8,42 cobrada pela segunda via do RG e mais duas fotos 3x4. A taxa de segurança, como é denominada, vai para o Fundo de Reequipamento Policial (Funrespol).Após a criação da lei compulsória de doações de órgãos, metade das pessoas que fazem a Carteira de Identidade no Paraná passou espontaneamente à condição de doadoras. Mas a outra metade ainda resiste à idéia. Segundo dados do Hospital Universitário de Londrina, o principal receio dos não doadores é que os órgãos sejam retirados antes da morte estar certificada. Medo que, garantem os especialistas, é injustificado principalmente para os que dependem de um transplante para viver


