Megaoperação vira tumulto na BR-277
Megaoperação vira tumulto na BR-277
Sacoleiros irritados com a demora na liberação dos ônibus fecham o tráfego e provocam congestionamento de 30 quilômetros
Lúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
SegurançaTropas do Exército protegem a ação dos fiscais da Receita Federal nos ônibus que transportam sacoleirosUm grupo de aproximadamente 300 sacoleiros bloqueou na manhã de ontem, durante quatro horas, o tráfego na BR-277, próximo a Foz do Iguaçu, provocando um congestionamento de 30 quilômetros na rodovia. O protesto dos sacoleiros foi motivado pela demora na fiscalização promovida pela megaoperação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e tropas do 15º e 34º Batalhão de Infantaria Motorizada.
A pista foi liberada às 11 horas, depois de uma negociação entre os comandantes da operação e os manifestantes, que impediam a passagem pondo fogo em paus e pneus velhos.
O Exército está protegendo a ação de fiscais da Receita Federal e de agentes da Polícia Federal em blitz na BR-277, entre Foz do Iguaçu e Medianeira. Além dos 400 soldados, a operação de combate ao contrabando, tráfico de armas e drogas conta com um reforço de 75 agentes da PF de outros Estados e de 270 fiscais da RF. Não há previsão para o término da operação.
A Receita Federal não dá detalhes sobre as apreensões, mas na Ponte da Amizade e nos postos da RF em Foz e Medianeira é possível observar um grande volume de cigarros, bebidas e eletrônicos apreendido. Para desafogar a fila de 250 ônibus formada na BR-277, a Receita está levando alguns ônibus diretamente para o pátio do depósito em Foz.
Pela manhã, dez ônibus estavam no local. Os sacoleiros reclamavam das condições a que estavam submetidos.
Estão nos tratando como bandidos, reclamava a sacoleira paulistana Vera Mendes, 42 anos. Você sabe o que é ficar cinco horas sem destino dentro de um ônibus?, reclamava. O ônibus, em que Vera estava, saiu de Foz às 5 da manhã e ficou retido por duas horas na fila no Posto da Receita em Medianeira.
Depois nos trouxeram para esperar aqui, alegando que lá estavam sobrecarregados, contou a sacoleira. Ela aguardava a liberação do ônibus no pátio do depósito da Receita, em Foz.
De acordo com um funcionário da RF, que não quis se identificar, o depósito estava sendo preparado há um bom tempo para receber um grande volume de mercadorias. Temos espaço para um mês de apreensão, revelou.
O depósito tem 5,8 mil metros quadrados e é periodicamente desocupado, com mercadorias destinadas aos leilões ou à incineração.
CãesOutro protesto envolvendo o esquema de controle aduaneiro aconteceu ontem à tarde na Ponte da Amizade (Brasil-Paraguai). Cerca de 30 vigilantes que trabalhavam para uma empresa de segurança que auxiliava o combate ao contrabando, tráfico de drogas e armas sobre a Ponte da Amizade, fizeram uma manifestação pacífica próximo à Aduana.
Eles reclamam o pagamento dos salários referentes ao período em que se prepararam e atuaram no esquema especial, que utilizavam cães de guarda e farejadores, realizado em março na fronteira.





