Megaoperação tenta reduzir crimes em Foz do Iguaçu
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Guilherme Gouveia<br>Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Foz do Iguaçu Mais de mil policiais civis e militares começaram ontem a trabalhar na megaoperação de combate ao crime organizado em Foz do Iguaçu. Batizada de ''Foz Segura'', a iniciativa pretende coibir o avanço dos índices de criminalidade na fronteira com o Paraguai. Desde o ínicio do ano, foram 58 homícidios na cidade, praticamente um por dia.
''A situação por aqui é alarmante, se continuar nesse ritmo, Foz será em pouco tempo a cidade mais violenta do País. Na minha opinião, a ação policial é a melhor estratégia de reduzir o tráfico de drogas, de armas e o contrabando na fronteira'', argumentou o promotor Rudi Rigo Burkle, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que integra a operação. O governador Roberto Requião fez o lançamento oficial da operação ontem à tarde.
Os policiais percorreram desde às 5 horas os principais bolsões de violência em busca de armas, drogas e pesssoas acusadas de ter ligações com o narcotráfico. E os primeiros resultados já apareceram. Somente na manhã de ontem, 36 pessoas foram detidas por porte ilegal de armas, tráfico de drogas e assaltos, entre outros. Cinco armas foram apreendidas, além de 75 cartuchos de munições.
Ao todo, foram cumpridos cerca de 80 mandados de busca e apreensão. No Centro de Foz, os policiais fizeram blitze e batidas em estabelecimentos comerciais. Segundo o governo estadual, a megaoperação deve durar 30 dias.
De acordo com o promotor da PIC, as vítimas de assassinato na fronteira são cada vez mais novas. Só nos primeiros 45 dias do ano, 42 jovens ligados ao narcotráfico foram mortos. ''Esse fato chama mesmo a atenção. Fizemos um levantamento que constatou que grande parte dessas mortes é de jovens utilizados no transporte de drogas e mercadorias'', relatou Burkle. ''São mortes por disputa de poder ou queima de arquivo'', acrescentou.
Do efetivo presente na fronteira, 38 policiais fazem parte do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), com sede em Londrina. Seis viaturas também foram deslocadas. O tenente-coronel do 5º BPM, comandante Manuel da Cruz Neto, não quis dar entrevista sobre o assunto argumentando que essa foi uma decisão tomada pelo Comando do Policiamento do Interior (CPI).
Cruz Neto repassou, porém, por meio da assessoria de imprensa, que o envio de policiais para a megaoperação não irá prejudicar o trabalho nas ruas de Londrina. A assessoria informou ainda que os policiais militares deslocados para Foz participavam da Operação Verão nas praias do Litoral ou estavam fazendo cursos.
O assessor de imprensa do Comando do Policiamento do Interior, sargento Altair Machado,explicou que todos os batalhões do Estado contribuíram com policiais para a megaoperação. Segundo ele, os batalhões não sofreram desfalques, e reafirmou que grande parte dos profissionais estava atuando na Operação Verão ou realizando treinamentos.


