Megaoperação resulta na detenção de 59 pessoas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Mais de 300 pedras de crack prontas para serem embaladas e consumidas, dois tijolos de crack (com conteúdo suficiente para se fazer outras 1,5 mil pedras), um rolo de saco plástico preto, várias buchas de cocaína, maconha, cachimbos e objetos furtados que foram trocados por drogas foram apreendidos pela Polícia Civil numa megaoperação para desarticulação do tráfico de entorpecentes na região central de Curitiba. A operação policial aconteceu na quinta-feira da semana passada, mas a droga e os presos só foram apresentados ontem à imprensa.
A apreensão e a detenção de 59 pessoas nove delas respondendo inquérito policial por tráfico e associação ao tráfico foram resultado de um trabalho de investigação policial que durou dois meses. Mais de cinco horas de filmagem revelaram que o Clube de Carteado São Bernardo, que funcionava ininterruptamente na rua Cruz Machado, centro de Curitiba, era usado como ponto de venda e consumo de drogas.
Segundo a polícia, para entrar no clube, os usuários tinham que apertar a campainha e aguardar até que observadores, em pontos estratégicos, davam o sinal de abrir. De acordo com os policiais, se a pessoa fosse considerada como pequena traficante ou usuária, a porta era aberta. Caso contrário, ninguém abria a porta e o suposto cliente tinha que voltar para casa. ''Por fora, a gente tinha a impressão que se tratava de uma casa de tolerância. Garotas de programa trabalhavam no local, mas elas na realidade eram as distribuidoras da droga pelo centro de Curitiba'', disse ontem o delegado titular da Antitóxicos, Alfredo Dib Júnior.
As fitas feitas pelos policiais civis contêm mais de 100 flagrantes de pessoas entrando e saindo do local com a droga sendo colocada na boca, além de 341 fotos com a fisionomia de todos os que frequentaram o local no período do trabalho policial. Um biarticulado foi usado para o transporte de todos os detidos até a delegacia de polícia. Apenas nove permaneceram presos: Joel Padilha Gaudêncio, 37 anos; Dirceu dos Santos, 40; Ataíde Brune, 37; e Vanderley José Gonçalves dos Santos, 38 todos suspeitos de atuarem como os chefes do tráfico na região; Viviane Pessoa Monteiro, 37; Karina Oliveira de Lima, 25; e Nilcemari Rossi, 26 que suspeitas de trabalharem como ''correria'', apanhando as drogas no clube e distribuindo pelas calçadas e ruas do centro de Curitiba.
Os demais detidos foram arrolados como testemunhas no inquérito policial. Pela quantidade de droga apreendida, Alfredo Dib Júnior acredita que eram vendidas 300 pedras de crack por dia no local, gerando um lucro mensal para os traficantes de cerca de R$ 90 mil.


