As polícias Civil e Militar ocuparam ontem de manhã os jardins Nossa Senhora da Paz e Leste-Oeste e a favela da Rua Pantanal (zona oeste de Londrina) para cumprir mandado coletivo de busca domiciliar. A megaoperação envolveu a equipe completa de delegados e investigadores da Polícia Civil (40 homens) e 90 policiais militares, incluindo a equipe das Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone). Apesar de todo aparato policial, o resultado foi pequeno: apreensões de armas de brinquedo, pequenas porções de droga e detenção de nove pessoas.
A operação teve início às 5h50, quando o Jardim Nossa Senhora da Paz e a Favela Pantanal foram tomadas pela polícia. A ocupação do Jardim Leste-Oeste foi feita na sequência.
A casa do aposentado Geraldo Constantino de Oliveira, 53 anos, foi uma das primeiras revistadas. Para ele, a operação é positiva. ''É muito complicada esta questão de segurança aqui no bairro. Seria bom se a polícia sempre fizesse estas revistas'', opinou. O também aposentado Otacílio Dias, 70, compartilha da opinião do vizinho. ''Quem vê cara, não vê coração. Não dá para saber onde o bandido está escondido. Por isso é bom que entrem em todas as casas'', disse. ''É em benefício nosso'', complementou.
Para revistar todos os imóveis das ruas, os policiais precisaram arrombar portões de casas desocupadas, os chamados ''mocós''. Em um deles, na Rua Nossa Senhora da Guia, foram encontradas duas mudas de maconha. Em uma das casas, o eletricista João Rodrigues de Oliveira, 49 anos, foi detido com 30 papelotes de pasta-base de cocaína. Após a detenção de Oliveira, uma menor de idade disse aos policiais que seria a dona da droga. ''Ela queria livrar o rapaz da acusação de tráfico de drogas'', explicou um policial militar.
A empregada doméstica Isabel de Souza Silva, 46, mora desde criança na região. Segundo ela, trocas de tiros são comuns no bairro. Há cerca de um mês, um vitrô do quarto do filho foi atingido por uma bala. O tiro pode ter vindo da vizinha favela Pantanal. ''Meu filho tinha acabado de sair do quarto. Como ele é bem grande, se estivesse lá, provavelmente teria acertado nele'', declarou.
Para o morador Edivaldo, 31 anos, que preferiu manter o sobrenome em sigilo, a violência é fruto de uma briga entre gangues rivais, do Nossa Senhora da Paz e Pantanal. Esse confronto já fez 13 vítimas este ano. ''Hoje tenho vergonha de morar aqui. Se existisse um módulo policial aqui perto, tenho certeza que a violência diminuiria'', afirmou.
Um menor de idade foi apreendido na Nossa Senhora da Paz sob suspeita de participação num homicídio. Ele foi colocado na mesma viatura de Alex Barbosa, 18, que havia sido preso na Pantanal. Ao entrar no carro, apesar de ter um braço enfaixado, ele agrediu Barbosa com um soco no rosto e desacatou o policial. Foi necessário encaminhá-lo para outro carro. Eles pertenceriam a gangues rivais.
De acordo com o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, foram detidos acusados de tráfico de drogas e receptação e suspeitos de homicídio. ''São locais de alta incidência de pessoas envolvidas com criminalidade'', ressaltou. Para ele, o resultado da operação foi positivo, devido à integração entre as polícias Civil e Militar, Poder Judiciário e Ministério Público. André revelou ainda que obteve informações para elucidar três homicídios ocorridos na região.
O comandante do 5º Batalhão da PM (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, elogiou a ''cordialidade da comunidade no momento das abordagens.'' Segundo ele, havia indícios de armamento nos locais ocupados pela polícia. ''As abordagens serão mais frequentes. Obviamente, não serão avisadas anteriormente'', destacou.
Uma das motivações da megaoperação foi a morte do operário Damião dos Santos Ramos, 27, atingido por um tiro enquanto trabalhava na empresa de fiação de seda Bratac, que fica entre o Nossa Senhora da Paz e a Pantanal. Uma criança de nove anos também foi atingida por disparo de arma de fogo no local. O crime aconteceu no dia 25 e Ramos morreu no dia seguinte.

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