Curitiba As polícias civis do Paraná e de Santa Catarina realizaram ontem, simultaneamente, uma megaoperação policial que terminou com a prisão de dez pessoas e a apreensão de dezenas de peças de carros supostamente retiradas de veículos roubados nos dois estados.
A operação é resultado da investigação sobre a morte do freteiro Alcir Denâncio Garcia, de 47 anos, que foi atraído para a cidade de Brusque (SC) para entregar uma carga em Curitiba. Lá, segundo a polícia, ele foi imobilizado e mantido como refém durante várias horas, sendo depois assassinado com um tiro na cabeça.
O delegado-chefe da Delegacia Anti-Sequestro de Santa Catarina, Renato Hendges, começou a investigar o caso e conseguiu judicialmente a quebra do sigilo de 12 telefones que seriam usados por suspeitos. Com as gravações, Hendges conseguiu identificar os integrantes da quadrilha e pediu a prisão preventiva de todos eles.
''A forma de agir desta quadrilha era idêntica sempre. Os quadrilheiros contratavam frete do Paraná para Santa Catarina e vice-versa e depositavam valores antecipados do frete. No carregamento, o caminhoneiro ou motorista era rendido e o veículo roubado'', informou ontem Hendges, que mobilizou 45 policiais civis e dois delegados de Santa Catarina e outros dois delegados e oito policiais do Paraná para atuar no caso.
As operações simultâneas para prender os suspeitos foram realizadas em Paranaguá, Curitiba e São José dos Pinhais e nas cidades catarinenses de Criciúma, Itapema, Itajaí e Balneário Camboriú. Foram presos: Ivan Traebert, Edla Traebert (ambos fariam a ponte para a venda dos carros roubados), Leonides Lemos (suspeito de fazer os contatos telefônicos), Pascoal Nicocelli (que auxiliaria nos roubos), Oracildes Leomar Pereira (que escolheria os carros), Manoel Machado Rodrigues (que seria um dos contatos com os receptadores de Curitiba), Rogério Rodrigues (faria os acertos para os depósitos), Siziomar Flávio Rodrigues e Eliseu Nunes (apontados pela polícia como os responsáveis contato para os fretes).
A dona-de-casa Sandra Cristina de Paula chegou a ser detida numa casa em São José dos Pinhais, onde funcionaria um desmanche de propriedade do marido Carlos Roberto Bortolan, 40 anos, apontado como chefe da quadrilha e receptador dos veículos em Curitiba. A loja dele, JSB Peças, na Vila Hauer, em Curitiba, também foi fechada. Nos dois locais, várias peças foram apreendidas. ''Aproximadamente dez veículos estão cortados lá. O Instituto de Criminalística é que vai dizer'', declarou ontem o delegado Osmar Dechiche, que chefiou a equipe do Paraná. Checagem das placas encontradas nos locais demonstrou que os carros cortados eram furtados ou roubados.
Bortolan foi preso no final da tarde quando procurava o advogado para tentar acertar a liberdade da mulher, detida na delegacia de São José dos Pinhais. Ele foi preso em flagrante. Apenas dois mandados de prisão não foram cumpridos. Os nomes das pessoas que não foram encontradas pela polícia não foram divulgados. Os presos negam que participem de quadrilhas de desmanche de carros. Eles se recusaram ontem a falar com a imprensa.

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