Curitiba Uma megaoperação das polícias Civil e Militar fechou ontem uma das mais antigas favelas de Curitiba: a da Vila das Torres. Trinta e seis ruas foram fechadas. Cerca de 600 homens começaram ontem de manhã a cumprir 20 mandados de prisão e vários outros de busca e apreensão. Cães farejadores, cavalaria, atiradores de elite e policiais treinados vistoriaram residências e estabelecimentos comerciais e abordaram os moradores. Policiais femininas também foram escaladas para a megaoperação, que deverá durar pelo menos 72 horas. Dois helicópteros, 200 viaturas, 2 caminhões dos bombeiros e três microônibus estão sendo usados na operação.
Pelo menos um excesso policial foi registrado ontem pela reportagem Folha. policiais militares com mandado de prisão, busca e apreensão invadiram uma casa com um microônibus. O portão e a porta da casa foram destruídos. A auxiliar de serviços gerais Clenir Fátima de Moraes, de 32 anos, disse que ficou desesperada. A mãe dela desmaiou e precisou ser atendida num hospital da região. ''Eles falaram que era para a gente levantar as mãos. Revistaram tudo. Não teve nada que eles não tirassem do lugar'', reclamou a moradora, que mora naquela casa há apenas dois meses.
Clenir contou que a pessoa que eles procuravam não morava mais lá. ''Nem conhecia. Disse isso para eles. Mas eles não acreditaram'', complementou. Os policiais vistoriaram toda a casa e não encontraram nada: nem armas, nem drogas. ''Eles falaram que vão repor o muro e o portão. Mas quanto tempo vai durar? E a insegurança? Eu acho que o que eles fizeram foi uma violência. Se eles pedissem licença eu abriria a porta. Não precisava invadir'', reclamou. Além dela e da mãe, estavam em casa quatro crianças (a mais nova de seis meses e a mais velha de 14 anos).
Muitos moradores, com medo, não abriram as portas do comércio. Outros não deixaram os filhos ir para a escola, temendo violência ou tiroteios com os bandidos. ''O que queremos é tirar os 10% dos moradores daqui e que colaboram para o crime'', afirmou o comandante da Polícia Militar (PM) do Estado, coronel David Pancotti.
Até o final do dia, 19 pessoas tinham sido presas e apreendidos cinco veículos, três armas de fogo (uma pistola e dois revólveres), mostruário de jóias roubadas, 400 metros de fios de cobre de cabos de energia, 60 bolsas furtadas, carteiras, celulares, duas algemas, óculos. De acordo com a polícia, foram abordados 1.792 pessoas, 188 carros e 56 motos.

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