Medo reduz procura por resultado
Especial para a Folha
A coordenadora do Centro de Orientação e Aconselhamento (COA) de Curitiba, responsável pela realização de testes anti-HIV gratuitos, Maria Rita Almeida, acredita que o medo de um diagnóstico positivo impede que muitas pessoas procurem os resultados dos exames. De janeiro a maio deste ano, 15% dos que fizeram exames no Centro, ligado à Secretaria Municipal de Saúde, não foram buscar os resultados. São 626 testes não retirados de um total de 4.314 realizados. O esquecimento surpreende a coordenadora porque as pessoas procuram o COA espontaneamente para fazer o teste. Como os exames são anônimos, não temos como procurar as pessoas depois dos resultados, disse.
O COA faz, em média, 800 testes anti-HIV por mês para Curitiba e municípios da região metropolitana. 93% dos resultados são negativos. Muitas pessoas fazem o teste porque estiveram expostas a situações de risco e quando o resultado é negativo elas ficam estimuladas a tomar medidas de prevenção, explica a coordenadora. O exame é gratuito para qualquer pessoa, independente do sexo ou classe social. O COA atende à rua Barão do Rio Branco, 465. Os interessados podem receber informações sobre horários de atendimento pelo telefone 200-1414.
Os exames ficam prontos em cinco dias. As pessoas que fazem o teste no COA recebem acompanhamento psicológico. Os resultados negativos ficam no arquivo do Centro de Orientação por dois anos. Os positivos permanecem lá até o paciente ir buscá-lo. Neste caso, quanto mais cedo for detectado o vírus, melhor será a qualidade de vida, pois o médico pode monitorar a infecção desde o início, disse.
- A coordenação municipal de DST/Aids constatou uma lenta redução na velocidade de propagação da doença na região metropolitana. Em 1997 foram registrados 565 casos de Aids na cidade, enquanto no passado foram de 541. Nos primeiros cinco meses de 1999 foram constatados 93 novos infectados.
De 1984 a abril deste ano houve registro de 3.154 casos de Aids na cidade. 1.280 pessoas morreram. O número de mulheres infectadas está crescendo. Nos primeiros anos da epidemia a proporção era de 10 homens para cada mulher contaminada. Em 1998 a relação caiu para três homens por mulher.





