Medo provoca mudança no cardápio
O medo da cólera pode mudar o cardápio dos paranaenses nesta Sexta-feira Santa. Com o surgimento da doença no litoral do Estado, muitas pessoas, que se dirigiam ontem para as praias, não sabiam ainda se seguiriam hoje a tradição de comer peixe.
É o caso do bancário José Jardel, 38 anos, que decidiu trocar o peixe pela massa, durante as refeições. O cuidado era principalmente por causa dos três filhos pequenos. O professor Altamar Queiroz Júnior, 28 anos, havia recebido na estrada um panfleto falando do cólera quando descia para o litoral. Por isso, não sabia se compraria peixe para a família. Vamos ter que olhar as condições.
Além da preocupação com os alimentos, a maioria das pessoas que seguia para as praias também estava tomando precauções com a água que ia beber. Na bagagem, estavam principalmente garrafas de água mineral para tentar evitar a contaminação.
Mas, mesmo com a gravidade da doença que se instalou no litoral, quem costuma ir para as praias nos feriados parecia não se intimidar. O militar Juarez Corrêa dos Santos, 48 anos, ainda estava ontem em Curitiba, mas disse que não deixaria de ir à praia por causa do cólera. Não tem nada a ver. É só se cuidar. O estudante Leonardo Busch, 21 anos, também afirmou que não estragaria o feriado por causa da ameaça da doença.
Segundo a infectologista do Hospital de Clínicas, Marta Fragoso, as pessoas que estão indo ao litoral devem tomar algumas medidas para ficar longe do risco da doença. Entre os conselhos está a ingestão de água mineral de boa procedência, fazer a higiene das mãos, evitar gelo que não seja feito de água mineral, comer peixe apenas se for cozido e ter cuidados com legumes, verduras e frutas. Eles devem ser bem lavados e deixados em solução de hipoclorito. No caso dos legumes, a preferência é que sejam cozidos.Mauro FrassonJosé Jardel foi ao litoral, mas decidiu trocar o peixe pelas massas durante o feriado; Juarez Correa dos Santos não está com medo: é só se cuidarAnna Camanducaia





