Medo provoca corrida por segurança
Eliane Eme Sato
Albari RosaÉ cada vez mais comum encontrar avisos de cerca eletrificada, como este no bairro ParolinO aumento do violência em Curitiba nas últimas semanas provocou uma corrida às empresas especializadas em segurança. Nos últimos dois meses, a venda de equipamentos para monitoramento eletrônico aumentou 15% e a procura por vigilantes teve um acréscimo de 10%, segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança e Vigilância de Curitiba, Jefferson Simões. ‘‘As pessoas se sentem cada vez mais inseguras e procuram uma forma de se proteger’’, diz. Os principais clientes das lojas são donos de residências e condomínios, lojistas e, em menor frequência, as indústrias.
Em março, na semana em que foram registrados oito assaltos a bancos, o movimento nas empresas de segurança aumentou 20%, segundo o presidente do sindicato. O gerente comercial da Sentinela, Carlos Alberto Pereita, conta que no início do ano atendia de três a quatro clientes por dia. Hoje esse número subiu para oito a dez atendimentos. ‘‘Sempre que sai uma notícia de crime na imprensa a população entra em pânico e nos procura’’, diz.
Na Resgate Vigilância a busca por segurança cresceu 70% este ano em relação ao ano passado, segundo o proprietário, Alcione Rocha Stremel. ‘‘Esse número tende a aumentar porque ninguém pode negar que a violência está assustando’’, diz. A empresa atendia de dois a três clientes por dia em 1997. Esse número cresceu para sete a dez por dia neste ano. Cerca de 80% dos clientes são comerciantes e pequenas indústrias. A grande maioria, segundo Stremel, opta por instalação de equipamentos eletrônicos, como o sistema de vídeo de monitoramento e o sistema de sensores. ‘‘São bem mais baratos do que a contratação de vigilantes’’.
O comerciante Humberto Gonçalves instalou há dois meses um sistema de alarme e de monitoramento em sua loja, a Smart Cell Telefonia Celular, instalada na Rua XV de Novembro. Em caso de arrombamento, o sistema dispara um alarme, que por sua vez aciona automaticamente, por telefone, a empresa de vigilância a que está ligado. ‘‘Agora durmo mais tranquilo’’, diz Gonçalves. Ele conta que antes, preocupado com a loja, costumava acordar de madrugada. ‘‘Batia o desespero e eu tinha que confirmar se tudo estava bem’’.
O comerciante pagou R$ 190,00 pela instalação do sistema e paga R$ 80,00 mensais para a empresa de segurança. Ele critica o aumento da violência na cidade. Nas últimas semanas, conta que dois estabelecimentos ao lado de sua loja foram assaltados. ‘‘Está demais. Chegamos a tal ponto que para ter um pouco de segurança é preciso pagar por ela’’.

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