Cinco membros da comitiva que foi até Curitiba, ontem pela manhã, para discutir a construção da Cadeia Pública em Londrina com o governador Jaime Lerner, acabaram passando por um grande susto a cinco mil metros de altitude. Eles decolaram às 8h25 do Aeroporto de Londrina, no vôo 300, junto com outros 12 passageiros - além dos três tripulantes -, em um avião Fokker 50 (prefixo PT-SLL) da empresa aérea Rio-Sul. Quinze minutos depois, o piloto informava pelo sistema de comunicação da aeronave que havia observado um problema na bomba de óleo de um dos motores, que foi imediatamente desligado.
‘‘Fez um barulho grande e o avião deu um tranco. O comandande avisou sobre o problema e disse que iria retornar a Londrina com um motor só’’, contou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros.
Junto com ele estavam o juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor dos presídios, Roberto do Valle; o delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Acácio de Azevedo; o promotor de justiça Cláudio Esteves; e o empresário Luiz Roberto Ferrari, que doou o terreno para a construção da nova Cadeia - todos integrantes do Fórum Permanente de Segurança de Londrina, que agendou a audiência com o governador.
Dorico da SilvaDe dentroO presidente da Acil, Abílio
Medeiros, passageiro do vôo
300: ‘Espero que a companhia
tire isso como uma lição’
Assim que a torre foi informada sobre a pane, foi dado ‘alerta amarelo’ no Aeroporto para que a equipe de segurança - bombeiros, viatura médica, entre outros - se posicionasse na pista para socorrer as vítimas em caso de eventual acidente. A aterrissagem, no entanto, aconteceu normalmente. Às 10 horas, aproximadamente, 14 dos 17 passageiros decolaram para Curitiba em outra aeronave - idêntica à primeira - enquanto o Fokker 50 avariado ficou na pista para conserto. Outros dois passageiros foram para São Paulo; um terceiro desistiu de voar e ficou em Londrina.
O superintendente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) em Londrina, Lourival Briana, explica que o ‘alerta amarelo’ é dado quando há pane confirmada em aeronave - há ainda o ‘alerta branco’, que é para suspeitas de pane, e o ‘alerta vermelho’, para acidentes. No caso da avaria com o avião da Rio-Sul, ele diz, os cuidados têm que ser tomados porque a pane poderia se estender também ao outro motor, causando fatalmente um acidente aéreo.
Sem precisar números, Briana comenta que a ocorrência de incidentes parecidos com o que ocorreu ontem com o Fokker 50 da Rio-Sul é frequente e que a atitude do comandante, ao voltar a Londrina, foi correta, já que o aeroporto local era o mais próximo e em condições de operar em situação de risco.
O presidente da Acil, no entanto, conta que o susto foi grande entre os passageiros e critica a falta de manutenção das aeronaves. ‘‘Só acho que esses aviões voam demais. Não é admissível que em 10 minutos de vôo dê problema na bomba de óleo. Isso é problema de manutenção’’, afirma Medeiros.
Para ele, esse tipo de ocorrência só faz aumentar o clima de insegurança nos vôos domésticos, afastando cada vez mais os passageiros dos aeroportos. ‘‘E se o avião tivesse um motor só?’’, questiona. ‘‘Espero que a companhia tire isso como lição.’’
Abílio Medeiros observa ainda que o preço das passagens aéreas no Brasil é um absurdo e ainda não é oferecido um serviço adequado. ‘‘Por isso, tínhamos que abrir o mercado. Esse negócio de rota exclusiva não está certo’’, avalia o presidente da Acil.
A assessoria de imprensa da Rio-Sul informou pelo telefone, do Rio de Janeiro (RJ), que o problema em Londrina foi causado por uma oscilação no nível do óleo de um dos motores, o que levou o comandante a ‘cortar’ o motor - para que o problema não evoluísse - e retornar a Londrina. O tranco e o barulho, segundo a mesma fonte, podem acontecer quando o motor é desligado, já que ocorre uma pequena desaceleração da aeronave.
Sobre as críticas em relação às condições das aeronaves, a assessoria informou que o centro de manutenção da Rio-Sul - o mesmo da Varig - segue todas as normas apontadas pelo fabricante e também normas internas, sendo considerado referência mundial. Problemas como o de Londrina, informa a assessoria, são raríssimos: em 21 anos de operação nunca ocorreu um só acidente mais grave, com vítima fatal, envolvendo aviões da companhia.
A Rio-Sul admite, no entanto, que, embora voe com segurança, o Fokker 50 é um avião turboélice, com tecnologia atrasada, e que a tendência na companhia é que ele seja substituído pelo jato Emb-145 Jet Class, fabricado pela Embraer. Em algumas linhas da Rio-Sul, como Rio-Belo Horizonte, Rio-Campinas e Rio-Vitória, o Emb-145 já está sendo utilizado.

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