Medo no ar: avião não consegue pousar em Londrina
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Guto Rocha<br>Reportagem Local 
A falta do aparelho ILS (sigla em inglês para Sistema de Pouso por Instrumento) no aeroporto de Londrina e o mal tempo provocaram susto e tensão para os passageiros do vôo 3772 da TAM, que vinha de São Paulo, na noite de anteontem. Segundo o diretor do Sindicato dos Bancários de Londrina, Paulo Lima, que estava na aeronave, ao chegar em Londrina o piloto teve de dar duas grandes voltas sobre a cidade para tentar aterrissar. ''O comandante do vôo explicou que precisava esperar a cabeceira da pista ficar mais limpa para poder fazer o pouso'', disse.
Quando a areonave, um Airbus 320-200, se aproximou da pista, já com trem de pouso baixado, o piloto teve de arremeter (levantar vôo novamente). Numa segunda tentativa, conta o diretor do Sindicato, o piloto chegou mais próximo da pista, e novamente teve de arremeter. ''Entre uma tentativa e outra houve muita tensão entre os 45 passageiros. O medo foi tanto que a gente até se lembra de rezar nessas horas'', comentou.
Como a cerração não se dissipou, o piloto resolveu retornar para São Paulo. ''Pela janela do avião dava para ver que tinha uma nuvem imensa apenas sobre Londrina'', comentou. Os passageiros foram levados para um hotel, onde passaram a noite. Ontem de manhã, eles retornaram para Londrina e desembarcaram às 10h20. De acordo com um funcionário da TAM, que preferiu não se identificar, o procedimento de voltar ao aeroporto de origem é rotineiro.
Segundo o coordenador de Navegação Aérea da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) de Londrina, Carlos Alberto Souza e Silva, no momento em que o avião da TAM tentou aterrisar, o teto em Londrina era de 300 pés. ''Se o aeroporto contasse com o ILS o avião teria pousado tranquilamente'', afirmou. Silva explicou que o aparelho permite pousos com teto até 200 pés.
Silva afirmou que a instalação do ILS depende da desapropriação, pela Prefeitura, de áreas no entorno do aeroporto. Isso é necessário para ampliar a pista em 300 metros. ''Com a ampliação da pista, a Infraero poderia abrir licitação internacional para adquirir o ILS'', afirmou. O aparelho tem um custo estimado de US$ 800 mil.
O secretário municipal de Gestão Pública, Glaúdio Renato de Lima, afirmou ontem que o registro em cartório de área de 18 mil metros quadrados na cabeceira da pista deverá ser concluída até a próxima semana. Com o registro, a prefeitura poderá transferir 277 mil metros quadrados para a Infraero, que então vai iniciar os estudos para ampliação da cabeceira. Na sequência, a Infraero deverá iniciar a negociação da área da empresa Carambeí, onde um prédio, uma guarita, uma caixa d'água e algumas árvores são impedimentos técnicos para a instalação do equipamento.


