Londrina - O medo crescente da violência modifica constantemente a paisagem urbana. As tradicionais grades e cercas elétricas se juntam a outras soluções. Na Rua Pernambuco, próximo ao Calçadão, um pequeno piso escondido atrás de um jardim era usado como abrigo para moradores de rua e viciados. A solução encontrada pela administração do prédio foi fazer uma "cama de ferro". Para o zelador do Edifício Almada, Josael dos Santos, de 62 anos, a medida drástica foi necessária. "Foi o tempo que só existia o mendigo que pedia esmola. Hoje alguns deles assaltam para comprar drogas. Era isso que acontecia", destaca.
Já no comércio, a preocupação é com a ação das gangues da marcha à ré, que invadem lojas com veículos para furtar os produtos. A prática que se alastrou por todo o País fez com que comerciantes reforçassem a segurança. Postes de cimentos ou de ferro são colocados em frente às lojas. Em alguns casos, as barreiras são removíveis e travadas com cadeados no fim do expediente. Em outros, permanecem fixas obrigando pedestres a desviar dos obstáculos. O delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Amaro, informou que não há registros recentes da atuação deste tipo de quadrilha na cidade, mas considera válida a medida de prevenção. "Como a criminalidade não avisa quando vai agir, acredito que os obstáculos são válidos no reforço da segurança", opina.
O diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Ângelo Pamplona da Costa, lembrou que o crime foi muito popular nas lojas do centro há cerca de três anos. "O problema é que, infelizmente, se retirarem as barreiras, os arrombamentos voltam", justifica. Costa diz que as lojas mais visadas eram as de eletrodomésticos e joalherias. "Os prejuízos eram enormes, motivo pelo qual tivemos que optar pelo prejuízo estético." Sobre os pregões e grades onduladas, Costa aponta os skatistas como "maiores vilões", mas também admite a função de evitar aglomerações em frente as comércios. "Primeiro por causa dos skates, que danificavam os prédios; depois para evitar reunião de pessoas que ‘marcavam ponto’ e, algumas vezes, provocavam confusão’. Para Costa, a falta de mobiliário urbano causa o problema. "Se houvesse mais bancos nas ruas, com certeza as pessoas não precisariam sentar em vitrines", reivindica.(C.F.)

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