Medo generalizado leva à compra de armas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O medo generalizado leva as pessoas a tomarem medidas extremadas como comprar uma arma. A opinião é do sociólogo Marco Rossi, de Londrina, se referindo ao aumento de 70% na comercialização de armas de fogo no Brasil. Reportagem publicada ontem na FOLHA relatou que, desde 2005 - quando um referendo nacional manteve o comércio de armas de fogo no País - até o ano passado, as vendas cresceram 70%, segundo dados do Exército.
''A ineficiência da segurança pública faz com que alguns acreditem na possibilidade de se salvar com as próprias mãos'', afirmou o sociólogo, ressaltando que a compra dá uma falsa sensação de segurança. ''Um cidadão armado não tem destreza para manipular a arma e não terá chance contra um criminoso acostumado a usá-la todos os dias. O maior risco causado é contra ele mesmo'', opinou.
Rossi não acredita que o crescimento do comércio legal cause impacto na criminalidade. ''O que causa aumento nos crimes é a organização dos criminosos e a ineficiência em combatê-la.''
Modelos legalizados
Num dos extremos da cadeia produtiva das armas, Nilton de Paula, proprietário de uma loja que comercializa os equipamentos, confirma a análise de Rossi. Segundo ele, no estabelecimento, grande parte das pessoas que adquirem armas busca segurança.
Os clientes de armas curtas são proprietários rurais e empresários que guardam-nas em casa ou na empresa. Já os compradores dos modelos longos são pequenos proprietários rurais que buscam defender-se de assaltos ou até mesmo animais. ''Muita gente tinha armas irregulares, desfez-se delas e agora está comprando modelos legalizados'', acrescentou.
Segundo ele, o comércio cresceu nos últimos cinco anos, mas não na proporção divulgada pelo Exército. ''Em 2004, quando não havia definição sobre o comércio, quase não houve vendas. Acredito que, por isso, houve um crescimento tão expressivo. Mas hoje vendemos bem menos armas do que antes do referendo.''
O comerciante enfatizou que, no período, a venda de armas de pressão cresceu mais de 100%. ''Como não precisa de registro, as pessoas que antes compravam para uso esportivo muuitas vezes acabam preferindo esses modelos porque são menos complicados de adquirir''.


