Medo faz vítimas deixarem suas casas
Uma das consequências mais tristes dos roubos a residências é a opção que muitas das vítimas fazem por mudar de endereço, seja por medo de sofrer nova violência ou para evitar as lembranças ruins. Foi a decisão tomada pelo jornalista Oswaldo Militão, assaltado no início de julho, junto com a esposa. Os dois foram tratados com extrema agressividade e Militão chegou a levar pontapés de um criminoso armado.
''Moramos na mesma casa (no Centro de Londrina) há mais de 30 anos. Temos uma história de vida, meus filhos cresceram nela. Mas não terei o prazer de ver meus netos ali. Ao invés disso, estou mudando para um apartamento onde não cabe metade das minhas coisas'', indigna-se o jornalista. Ele não viu outra solução diante do trauma sofrido principalmente por sua esposa, que não fica mais sozinha e não abre a porta nem para aguar as plantas. ''Além disso os amigos passam a fugir de você, não querem mais ir à sua casa à noite'', lamenta.
O funcionário do Hospital Universitário (HU) José Carlos Moreira deu adeus a um novo vizinho nas mesmas circunstâncias. Morador do Jardim Monterrey, na Zona Leste, ele conta que o vizinho foi ''expulso'' pela violência. ''Ele tinha acabado de se casar e mudar pra lá. Depois de sofrer um assalto, ficou tão apavorado que se mudou de novo'', diz, reclamando que a passagem da Polícia Militar pela região é ''muito esporádica''. (V.N.)





