Cerca de 20% das doações de sangue obtidas pelos hemocentros de todo País são descartadas. No Hemocentro do Hospital Universitário de Londrina a situação não é diferente. Segundo a diretora técnica Marisa Saito, essa perda é resultado do exame sorológico ou triagem clínica de pessoas que raramente doam sangue.
O medo e o preconceito que ainda envolvem a doação de sangue mantêm o número de doadores regulares abaixo de 2% da população brasileira. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse índice chega a quase 5% dos habitantes. O período entre o Natal e o Ano Novo é o mais crítico para os hemocentros devido à redução no número de doações.
Para evitar que este desfalque prejudique os atendimentos de urgência/emergência e outros tratamentos, o HU realiza coletas preventivas. ''Graças a essa medida nosso estoque é razoável. A vacina contra a febre amarela, que impede a doação por 30 dias, por enquanto, não interferiu nos balanços. Neste caso, receptores imunodeprimidos podem sofrer efeitos indesejáveis devido à origem viral da vacina. Como outros hemocentros, nosso objetivo é aumentar o número de doadores regulares, triados frequentemente e, desta forma, compensar as rejeições aleatórias'', disse Marisa.
Em Londrina, as doações de reposição (obtidas fora do Hemocentro) - principalmente nas férias escolares - apóiam-se muito nas entidades religiosas e grandes empresas. O retorno às aulas nas universidades favorecerá o calendário de coletas externas. Um ônibus equipado, prometido pelo governo federal, é aguardado com ansiedade pela equipe do Hemocentro local. Com ele será possível buscar coletas inclusive fora da cidade. O único posto fixo está localizado no Centro de Convivência da UEL, ao lado da Biblioteca Central, e funciona a cada 15 dias.
Estimulado pela cunhada, que é funcionária do HU, Renildo Stein, 23 anos, doou sangue pela primeira vez este mês e aproveitou a ocasião para cadastrar-se também como doador de medula óssea. Para o irmão redentorista Pedro de Aguiar, 28 anos, recém-chegado a Londrina, ''doar é vida''. A babá Lidiane Ribeiro Baldo, 18 anos, superou o receio da agulha para ajudar uma desconhecida, que pertence a mesma igreja evangélica, e está internada no hospital. ''Doeu um pouquinho, mas valeu a pena. Acho que continuarei a doar''.

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