Números da Delegacia da Mulher em Londrina apontam uma grande disparidade entre os boletins de ocorrência e os inquéritos policiais instaurados relacionados à violência doméstica. Nos três primeiros meses de 2009 foram 825 casos registrados - média de 275 por mês. No entanto, apenas 196 denúncias viraram inquéritos, o que corresponde a 23,75% do total. Dados de 2010, apurados a pedido da FOLHA, são ainda mais preocupantes. Nos três primeiros meses foram 697 casos (média de 232,3/mês), sendo que apenas 118 viraram inquéritos. De uma ano para outro, uma queda de 40% nas formalizações das denúncias. Mas por que isso acontece?
Segundo a delegada substituta da Delegacia da Mulher, Sabrina Alexandrino, a muitas mulheres não dão prosseguimento ao processo. ''Até seis meses após o boletim, a vítima precisa autorizar a instauração do inquérito, o que chamamos de representação. Mas, por diversos motivos, como medo e principalmente ameaça, a mulher se sente coagida e não dá continuidade na denúncia. Mesmo sofrendo essas violências, muitas delas são dependentes financeira ou afetiva destes homens'', explica.
Para a delegada, ainda que a Lei Maria da Penha (em vigor desde 2006) tenha vindo amparar mulheres em situação de risco, umas das dificuldades é a falta de informação. ''Muitas ainda não sabem de seus direitos. Antes da lei, as mulheres ficavam totalmente desprotegidas. As penas aos agressores resumiam-se a pagamento de cestas básicas e prestação de serviço, além de não terem que sair de casa.''
Com a mudança na lei, há uma série de medidas protetivas e até mesmo possibilidade de pedido de prisão preventiva. ''O homem que for pego agredindo a mulher pode ser preso em flagrante. Antes, ele só assinava um termo circunstanciado (TC) que era encaminhado ao juizado criminal. Este é um fator que também interfere: os homens, por saberem da efetividade da lei e que acabou a ingerência, ameaçam a convivente'', aponta a delegada.
Moral e patrimonial
Mesmo com a ampla divulgação da lei, grande parte das mulheres acredita que violência doméstica se resume a agressão física e sexual. Conforme Sabrina, a lei foi ampliada e hoje, além da integridade física, a violência psicológica, moral e patrimonial também é crime.
A violência psicológica acontece quando o homem impede a mulher de trabalhar ou diz que ela é incapaz, por exemplo. ''Já o moral é a humilhação perante outros, denegrir a imagem com xingamentos e ofensas. Por último, quando ele dilapida o patrimônio em comum.''
Ajuda
Na hora de procurar ajuda, o primeiro é ir à Delegacia da Mulher ou qualquer delegacia para registrar o boletim de ocorrência. ''Se preferir, pode ir a algum órgão de proteção e apoio à mulher, que eles vão encaminhá-la. Na maioria destes locais, a mulher também recebe assistência psicológica e jurídica'', completa. De acordo com o caso, se este oferecer ameaça à vida da mulher e dos filhos, serão levadas a um abrigo, onde recebem proteção.

Serviço - Delegacia da Mulher -Rua Goiás, 287, fone (43) 3322-1633.

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