Medo de represálias adia júri de PM
Sid Sauer
De Campo Mourão
O medo de represálias de policiais militares adiou, em Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão), o julgamento do soldado Osvaldo Castilho, acusado de triplo homicídio em maio de 1992. O júri estava marcado para o último dia 7, mas os 17 jurados presentes ao fórum da cidade alegaram que estavam constrangidos de participar de um júri, cujo réu não havia sido julgado pela Justiça Militar e que continuava exercendo normalmente suas funções.
Não houve nenhuma ameaça, mas os jurados estavam amedrontados para julgar, explicou o promotor William Lira de Souza. Segundo ele, não eram todos os jurados, mas a maioria se mostrava preocupada em receber algum tipo de represália dependendo do resultado do julgamento. Se o júri tivesse ocorrido, seria possível uma absolvição só para não complicar as coisas para os jurados, disse Souza. O Ministério Público não poderia arriscar.
O receio dos jurados foi manifestado ainda na realização do sorteio que definiria os sete membros do júri. A preocupação foi apresentada tanto ao promotor quanto ao juiz, Nestário da Silva Queiroz, e ao advogado de defesa, Irineu Brzezinski. Houve um consenso em se pedir ao Tribunal de Justiça o desaforamento do processo, explicou Souza. Se o pedido for atendido, o julgamento será realizado em outra comarca.
O soldado Osvaldo Castilho atualmente trabalha no destacamento de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão). Na época do crime, ele estava lotado em Mariluz, mas o triplo homicídio aconteceu em Goierê. Castilho matou a tiros a ex-mulher dele, Elza Fagundes de Lima; o namorado dela, Sebastião Ferri, na época com 37 anos; e o pai de Sebastião, Mário Ferri, 62. Ao se apresentar, poucos dias depois, o PM alegou que fez os disparos porque havia sido agredido.
O advogado de defesa de Castilho, Irineu Brzezinski, que tem quase 40 anos de profissão, incluindo 10 anos como promotor de Justiça, disse ontem que a forma como aconteceu o adiamento do julgamento é rara. Os jurados deixaram claro que não têm nada contra o réu e temiam represálias de outros policiais militares, afirmou. Para Brzezinski, a mudança de comarca não deverá modificar o júri. Jurado é igual em todos os lugares.
O comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, major Erbt Afonso Pinto da Silva não pôde atender a Folha ontem. O batalhão informou que Castilho não foi julgado pela Justiça Militar porque não houve crime militar (ele não estava em serviço quando cometeu o triplo homicídio).





