O silêncio dos moradores dos jardins Leste-Oeste, Nossa Senhora da Paz e Favela Pantanal, redutos de violência na zona oeste de Londrina, tem impedido a polícia de prender suspeitos de crimes. O delegado-operacional da Força-tarefa de Homicídios da 10 Subdivisão Policial (SDP), Márcio Vinicius Amaro, afirmou que a Polícia Civil possui várias informações e indícios que apontam para nomes suspeitos, mas fica de mãos atadas pela falta de colaboração dos moradores.
''Temos muitos indícios mas há grande dificuldade para obter provas. As pessoas não contam o que sabem por medo. Muitos se recusam até a dizer quem mora na casa vizinha'', lamentou Amaro. O delegado disse que a polícia está tentando desbaratar a rede de crimes que se instalou em bairros da zona oeste. Para isso, já foram decretados quatro mandados de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em homícidios, todos do Jardim Leste-Oeste. Dois foram cumpridos anteontem os outros suspeitos estão foragidos. Amaro afirma que também estão sendo investigados alguns ''cabeças'' do crime no Nossa Senhora da Paz e que, em breve, deverá pedir novas prisões.
Um dos suspeitos de homicídio presos no domingo, o desempregado Anderson Maurício dos Santos, o ''Pé-do-quem'', de 18 anos, declarou ontem que está sendo vítima de perseguição de rivais do Nossa Senhora da Paz. ''Tem que ir atrás daquele pessoal, lá ninguém foi preso. Estão me acusando porque querem me ferrar. Eu nem saio de casa senão eles me matam'', defendeu-se. Junto com Rafael Vieira Matias, 18, o ''Rafinha'', que também já está preso, Santos é acusado de ter matado Everton Luiz Marcondes, 14 anos, no dia 3 de agosto, no Jardim Nossa Senhora da Paz. O crime foi assumido por menores, mas diversas testemunhas reconheceram Santos, Matias e outros dois suspeitos como autores dos disparos.
O delegado disse que menores estão sendo frequentemente usados para ''encobertar'' criminosos. M.H.A., 16 anos, que assumiu o assassinato de Everton, foi o mesmo adolescente que se apresentou como autor do homicídio do auxiliar de produção Damião dos Santos Ramos, morto no final do mês passado enquanto trabalhava na indústria de fiação de seda Bratac. De acordo com Amaro, a ligação reforça a suspeita de que a gangue de Santos e Matias estaria envolvida em ambos os crimes.

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