Medo de doenças apavora idoso
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Londrina 
Marcos BorgesOrientaçõesCerca de mil idosos participaram da palestra do médico Hungria Filho, ontem, na sede do Grêmio Vale mais um bom mocotó do que barbatana de tubarão (tida como eficiente no combate ao câncer e outras doenças). Com frases deste tipo, o médico paulista José Soares Hungria Filho, 80 anos, tentou desmistificar o medo de doenças que, segundo ele, vem apavorando as pessoas, principalmente os idosos. De um lado, a comunidade exclui o idoso tachando-o de improdutivo e incapaz. Do outro, a indústria médica faz dele o alvo de propagandas para venda de medicamentos, nem sempre necessários, afirmou.
O médico está participando do programa Protegendo a Vida e ontem à tarde deu palestra para cerca de mil idosos, na sede social do Grêmio Recreativo (centro). As pessoas precisam entender que as propagandas não têm a preocupação de garantir a saúde, mas sim a de vender remédio, afirmou. Um exemplo, diz, é a osteoporose. Segundo o médico, o medo da doença vem criando um verdadeiro terror entre as mulheres. Agora toda mulher acha que sofre do mal.
José Soares Hungria Filho explica que, ao contrário do que parece, esta doença não tem a incidência propagandeada. Só tem osteoporose quem tem vida sedentária; doença grave em alguma glândula ou toma cortizona. Nestes casos, frisa, não é um remédio que vai curar a doença. Na avaliação do médico, o perigo do colesterol amplamente alardeado é outro engodo. Hungria Filho sustenta que os níveis de colesterol medidos no sangue não têm ligação direta com as doenças cardíacas. Tanto que gente com índices normais de colesterol tem infartos e pessoas com colesterol alto vivem bem, argumenta.
Ele acusa a indústria do remédio de criar doenças para fazer as pessoas se sentirem cada vez mais doentes, levando-as a consumir mais medicamentos. A cada 10 perguntas que me fazem, nove são sobre a eficácia de um medicamento visto em uma propaganda ou sobre uma doença recentemente descoberta. O médico diz que as pessoas acabam esquecendo que a saúde é resultado de fatores emocionais, sociais e ecológicos. Garantir uma boa qualidade de vida é o melhor caminho para fazer com que as doenças se mantenham à distância. Bom senso é a palavra de ordem para Hungria Filho.
Formado em 1943, Hungria é ortopedista mas gosta de ser chamado de médico. Na sua análise, a qualidade de vida do idoso, no Brasil, continua péssima. Ainda temos muito o que trabalhar para que a comunidade reconheça a capacidade do idoso e o seu valor, afirma.
O Paraná tem hoje 312 mil pessoas com idade acima de 65 anos, representando 3,56% da população total do Estado. Mas a perspectiva mundial é que, na próxima década, o número de idosos seja maior que o de crianças e adultos. As palestras voltadas para os idosos continuam hoje, na sede social do Grêmio Recreativo.


