Medo de assaltos mobiliza agricultores
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoBom tempoAtivação da Patrulha Rural havia diminuído o número de assaltos a propriedades rurais na região de fronteiraPolíticos da região de fronteira estão pedindo ao governo do Estado ações articuladas com a esfera federal e até mesmo com o governo paraguaio, para combater quadrilhas que atacam propriedades rurais no lado brasileiro e se refugiam no país vizinho. Depois de um período de inatividade e de várias prisões, devido a atuação das Patrulhas Rurais da Polícia Militar, as quadrilhas voltaram a agir. Hoje, no município de Santa Helena (117 km a oeste de Cascavel), agricultores farão uma manifestação pedindo mais segurança.
As quadrilhas atravessam o Lago de Itaipu para assaltar e retornam com o produto dos assaltos embarcados inclusive em grandes balsas. O medo voltou a dominar os agricultores depois de assalto na noite de terça-feira, em um sítio na região de Vila Celeste, junto ao Lago de Itaipu. Dez homens agrediram e mantiveram agricultores sob a mira de armas até o dia seguinte e levaram um trator, um carro, uma motocicleta e outros bens. Foi um terror, resumiu o agricultor Elton Caie, que foi pisoteado pelos assaltantes.
Toda a comunidade volta a ficar alarmada, acrescenta o prefeito de Santa Helena, Silom Schmidt (PPB). Embora as Patrulhas Rurais tenham coibido as ações das quadrilhas, o prefeito acha fundamental a implantação de um batalhão da PM especial para a fronteira, já criado pelo Estado. Silom Schmidt reivindicava a unidade para Santa Helena, mas a sede escolhida foi Marechal Cândido Rondon, no centro da faixa de 200 quilômetros de margens do Lago de Itaipu, entre Guaíra e Foz do Iguaçu.
Com o novo batalhão, que ainda não tem data para começar a operar, a PM poderá manter mais homens e destacamentos em missões preventivas. O deputado Irineu Colombo (PT), que tem base eleitoral em alguns municípios da região do lago, informou ontem ter encaminhado requerimento à Secretaria de Segurança Pública, pedindo que além de ações de competência direta do órgão, sejam organizadas operações conjuntas com a Polícia Federal, Marinha e Interpol.
Colombo pediu também que seja estimulada a cooperação das autoridades paraguais, para a prisão de assaltantes que se refugiam no outro lado da fronteira. Segundo o deputado, muitos agricultores que têm propriedades junto ao lago levam suas famílias à noite para núcleos urbanos, para a casa de parentes. O medo e a tensão modificaram a vida destas pessoas, afirma.


