Medo da violência atrasa transferência de outras famílias
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segunda-feira, 06 de outubro de 1997
Da Redação 
O Olímpico 2 também foi o local escolhido para abrigar as famílias da ocupação no fundo de vale do José Giordano (zona norte). São quase 50 famílias que na última semana começaram a sair da zona norte de Londrina, com ajuda da Cohab, e a erguer os novos barracos na zona leste. Até segunda-feira, já eram 28 as famílias dispostas a ir para o novo assentamento, de um total de 46, e 16 já haviam se mudado.
Para o assessor social da Cohab, Humberto Rodrigues, a expectativa é que até o final do processo de transferência todas (ou quase todas) as famílias resolvam partir para o Olímpico. Quando começamos a discutir essa possibilidade, apenas três famílias se colocaram à disposição para transferência, recorda.
Não é nada do que estavam falando daqui. O pessoal do Olímpico é super gente fina, está oferecendo comida, água, café e até ajuda para descarregar o caminhão, observa Carlos Dias Moreira, 30, casado, pai de três filhos. Ele é um dos líderes dos moradores que saíram do Giordano e também aposta que, no final das contas, mais de 40 famílias vão acabar cedendo e partindo para Olímpico.
A maioria dos moradores do Giordano não queriam mudar por uma razão simples: além da distância, o assentamento do Olímpico tem hoje fama de lugar violento. O sonho aqui é um módulo policial mais próximo, diz o presidente da Federação de Favelas, Núcleos e Assentamentos de Londrina, José Ricardo da Silva. Ele lembra que a delegacia mais próxima do bairro fica distante cerca de seis quilômetros, no jardim Bandeirantes. E roubos, assaltos e arrombamentos acontecem direto na região.
Já para a Polícia Militar, o módulo policial não é solução para a violência. Solução é expandir o efetivo policial, a área de atuação de cada viatura, com presença mais constante, diz capitão Edwaldo Machado, do 5º Batalhão de Polícia Militar de Londrina. Segundo dados da PM, de janeiro a setembro de 1997 foram 208 ocorrências (dia e noite), com média mensal de 23,11. Ou seja: quase uma ocorrência por dia. No total, durante este período, foram feitas 32 detenções, 39 averiguações de vias de fato (briga), 22 furtos qualificados e 19 averiguações de elementos suspeitos.
O tenente Gustavo Hauenstein, relaçõe públicas do 5º BPM, explica que a PM mantém uma viatura percorrendo dia e noite o jardim Olímpico (o bairro, não a ocupação) e também o conjunto Avelino Vieira (Panissa). Então a viatura sempre está passando no Olímpico. O máximo que fica são duas horas fora do bairro, se for atender alguma ocorrência. Já no Olímpico 2, a viatura só desce quando é solicitada. Ainda assim, o tenente Gustavo acredita que o policiamento é satisfatório.
Violento ou não, a aposentada Lolita de Oliveira, separada e com um filho, estava animada na última sexta-feira quando descarregava a própria mudança. Aqui está ótimo, a vista é bonito para todos os lados. Aqui vai ser o que a gente é, dizia. Quero fazer aqui uma casa bem feita e viver sossegada.


