Vânia Moreira
De Umuarama
Preso em flagrante na semana passada acusado de praticar curandeirismo e exercício ilegal da medicina, o médium Carlos Adilson Freire Lopes, 36 anos, de Terra Roxa (100 quilômetros a sudoeste de Umuarama), quer continuar atendendo as pessoas que o procuram para fazer curas espirituais. Inconformado com a prisão, Lopes afirma que o centro espírita que dirige está com toda a documentação em dia e que não faz nenhum tipo de intervenção ‘‘que coloque em risco a vida das pessoas’’.
Lopes diz incorporar os espíritos do médico alemão Doutor Fritz e do médico francês José de Menezes. Toda semana, ele atende mais de 100 pessoas vindas de várias regiões do Paraná e até de outros Estados em busca de cura para as mais variadas doenças.
Ele foi preso sábado à tarde pelo delegado Pedro Lucena quando atendia um paciente no centro espírita que mantém no sítio da família, na zona rural de Terra Roxa. Lopes diz que estava ‘‘incorporado’’ e que só se deu conta do que havia acontecido quando saiu do transe, já na delegacia. Ele ficou três horas preso e foi liberado depois de pagar fiança. Frequentadores do centro defendem o médium e acusam o delegado de perseguir o centro espírita.
Lucena afirma que recebeu a denúncia de que Lopes estava realizando curas em seu centro e cobrando consulta dos ‘‘pacientes’’. ‘‘Isto é crime previsto no Código Penal. Constatei o que estava ocorrendo e efetuei a prisão dele em flagrante’’, informou. ‘‘Não tenho intenção de perseguir ninguém’’, acrescentou. Adilson Lopes afirma que não usa bisturi durante as cirurgias espirituais e garante que não cobra consulta. ‘‘Nós cobramos uma taxa de R$ 10 para manutenção do centro, mas se a pessoa não pode pagar é atendida do mesmo jeito’’, garantiu.
Adilson Lopes começou a realizar curas há cinco anos, segundo ele, depois de ser esfaqueado e receber o espírito do Doutor Fritz no hospital, o que teria salvado a sua vida.