Médium mirim adivinha identidades
Médium mirim adivinha identidades
Menina só adivinha
quando o pai segura
a carteira de
identidade da pessoa
Mauro Frasson
Ana do Gantois, 12 anos: de olhos vendados, lendo nomes e idadesEsoterismo, religião ou espetáculo? As manifestações populares de adivinhação despertam a atenção de quem passa pelas ruas de Curitiba. Na Praça Osório, é possível encontrar meia dúzia de ciganas lendo a sorte nas mãos das pessoas e, do outro lado, a menina Ana do Gantois, de 12 anos, médium que, de olhos vendados, adivinha nomes, data e local de nascimento das pessoas da platéia enquanto o pai, Aparecido Ortega, 54, segura nas mãos o documento de identidade dos curiosos.
O eletricista Sidmar França, 31, não acredita no que vê e ouve. Ele conta que já comprou um patuá para dar sorte, mas o amuleto não funcionou e ele deixou de acreditar nessas coisas. Mas, depois de ver o show de adivinhação da menina, mudou de idéia. O estudante de Direito Sérgio Thomazelli, 23, também parou para observar e tentar descobrir o código usado por pai e filha. Não consegui descobrir. Acho que ela adivinha mesmo, comenta, admirado. Josephina da Costa, 76, ficou curiosa para saber por que a menina só adivinhava quando o pai segurava a carteira de identidade. Ofereci este meu livro, mas ele disse que não servia,
critica.
Mauro Frasson
Ciganas na Praça Osório: R$ 1 para ler a sorte nas mãos dos curiososAparecido Ortega diz que já foi radialista, estudou Medicina, mas que, seguindo uma previsão de Mãe Menininha do Gantois, na Bahia, encontrou-se na Umbanda. Ele diz que está há três anos em Curitiba e tem um centro espírita registrado em cartório. Durante o espetáculo, sua segunda filha distribui folhetos com o endereço do centro e recolhe donativos. Por R$ 1, a pessoa pode ler uma mensagem preparada pela médium. As palavras aparecem ao mergulhar o papel na água dentro de uma garrafa que tem a imagem de Iemanjá. Ortega garante que a filha estuda e é bem tratada, mas que, apesar do sucesso na calçada, o show dá pouco lucro.
As ciganas dividem o espaço e o público. Por R$ 1 elas disparam a falar agarradas às mãos do cliente. O funileiro João Onorato parou pela primeira vez para ouvir as palavras da cigana e ouviu que estava amarrado por alguém no amor. Sou casado, comenta, desanimado, com a aliança no dedo. Ronaldo Silvestre, 23, parou por curiosidade e para se divertir. Elas só enchem linguiça, não acredito, mas dei R$ 1 para ajudar no almoço dela, diz.
As ciganas fogem da conversa gratuita, mas uma delas resmunga que o serviço está fraco. Tem muita gente desempregada e sem dinheiro, lamenta. (M.K.)





