Medidas simples ajudam na inclusão
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Carolina Avansini`<BR>Reportagem Local 
Arapongas - Amanda Vitória, 8 anos, é vizinha de Isabela e, como todas as meninas da idade, gosta de conversar com a amiga sobre brincadeiras, acontecimentos da escola e ídolos adolescentes da música pop. A amizade entre as duas seria improvável pela dificuldade de comunicação. Ouvinte, Amanda não conseguia conversar com Isabela, que é surda e se comunica apenas em libras.
Graças ao trabalho de inclusão realizado pela Escola Municipal Padre Germano Mayer, em Arapongas (Norte), onde Amanda estuda, a amizade se tornou possível. Como todos os 380 alunos da instituição de ensino, a menina ouvinte tem aulas semanais de libras. Fluente na chamada Linguagem Brasileira de Sinais, ela passou a entender não só os colegas surdos da escola como a vizinha que se tornou uma grande amiga. ''Não imaginava que a Isabela fosse tão legal.''
A inclusão dos deficientes auditivos na escola começou em 2006. ''Fizemos um curso de libras para funcionários e professores, mas não foi suficiente'', relatou a diretora Cíntia Cristina Persinoto. Cientes de que precisariam estudar para conseguir dar conta da inclusão, professores e equipe pedagógica fizeram, no próprio colégio, um curso de pós-graduação sobre o assunto.
''A pós trouxe novas informações e abriu a nossa mente'', avaliou. Diante da experiência bem sucedida, a escola passou a atender, também, crianças com outras deficiências, como baixa visão, Síndrome de Down e os chamados transtornos globais, que incluem autismo, TDAH, dislexia e Síndrome de Asperger. ''Formamos grupos de estudo para descobrir a melhor forma de lidar com eles. Recebemos a todos e depois vamos buscar soluções. O importante na inclusão é respeitar os limites e individualidades de cada um.''
Cada aluno deficiente tem a ajuda de um professor de apoio, contratado pela secretaria municipal de Educação. No caso dos surdos, os mestres traduzem os conteúdos e explicam os conceitos passados pelo professor da turma. Além disso, os estudantes realizam contraturno com a professora Elaine Romera, que também é surda e trabalha a ampliação do vocabulário em libras.
Professoras de apoio, Emília Reinaldo e Terezinha Godoy foram as primeiras da escola a trabalhar com surdos. ''Usamos materiais visuais para que os alunos entendam os conteúdos. A atenção é individual'', disse Emília, para quem a inclusão traz benefícios a todos. ''Os ouvintes acabam aproveitando os recursos visuais para aprender mais.''
Maria Dornelas é professora da quarta série e lida diariamente com três deficientes auditivos. ''A convivência e a comunicação é muito boa. Na escola, não há preconceito.''


