De nada adiantaram, ao menos por enquanto, os requerimentos da Assembléia Legislativa do Paraná que pediam providências contra a violência sofrida pelos moradores de Rasgadinho, em Guaratuba, no Litoral do Estado. Apesar das promessas das autoridades e passados dois meses das denúncias feitas pela Folha, a situação continua inalterada, conforme revelou ontem a advogada da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Núbia de Oliveira.
As 19 famílias da localidade acusam o fazendeiro Sérgio Chaves Cavalcanti de usar pistoleiros e de soltar uma manada de búfalos contra a vila para expulsá-las da terra. Segundo Núbia, os animais de Cavalcanti voltaram a invadir Rasgadinho na semana passada e anteontem, danificando plantações. A cerca para conter os búfalos e liberar a estrada entre Rasgadinho e Limeira, que segundo o documento aprovado na Assembléia deveria ser feita, nem sequer começou a ser construída.
Os requerimentos foram encaminhados ao procurador-geral da Justiça, Gilberto Giacoia, ao então secretário da Segurança Pública, Rubens Abrahão Tanure, e ao prefeito de Guaratuba, Everson Ambrósio Kravetz (PSDB). Para o prefeito, pedia garantia de funcionamento da escola e a abertura da estrada entre Limeira e Rasgadinho; para Tanure, a retirada imediata dos búfalos da estrada e dos pistoleiros da região; e para Giacoia, ‘‘medidas cabíveis para que a paz e a Justiça retornem à comunidade.’’
À época, as três autoridades afirmaram que iriam tomar medidas imediatas para resolver os problemas da comunidade. Até agora, no entanto, nada se modificou na prática. Cercados pelos búfalos, os moradores ainda são obrigados a ir de barco, numa viagem de duas horas, a Guaratuba para fazer as compras mais elementares, como comida e remédios.
Além dos estragos dos búfalos, os agricultores dizem conviver ainda hoje com a presença de pistoleiros - no ano passado, os jagunços teriam atirado contra casas, a escola e roubado a merenda. Ainda existe dúvida se as crianças voltarão à escola neste ano, já que elas têm medo dos animais.
No Fórum de Guaratuba, o promotor Lucílio de Held Júnior estuda uma ação de manutenção de posse e de indenização por perdas e danos, impetrada pela CPT em setembro 1998. Núbia disse aguardar a decisão do promotor desde 12 de novembro. Um acordo entre os agricultores e Cavalcanti, que resultaria na construção da cerca, acabou por naufragar.

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