A extinção dos passes de papel, além de trazer mudanças para os usuários do transporte coletivo, vai afetar diretamente a vida dos ambulantes que fazem a comercialização no entorno do Terminal Urbano e no Calçadão. Eles terão de procurar outra alternativa para ganhar dinheiro.
Morador da Vila Casoni (Área Central), João (os nomes são fictícios), 38 anos, vende passes nas proximidades do Terminal há 5 anos. ''Eles (CMTU) devem saber o que estão fazendo. Mas vai ficar melhor para os assaltantes porque vai ter mais gente andando com dinheiro'', opinou. Ex-frentista e guarda de posto de gasolina, ele é um dos mais de cem ambulantes que vivem dessa atividade.
Os ambulantes obtêm os passes por preço menor comprando de trabalhadores que recebem o benefício mas não utilizam os ônibus. O lucro por passe é de R$ 0,10. Eles chegam a obter entre R$ 20,00 e R$ 50,00 por dia com esse comércio. Para João, a única opção com o fim do passe é mudar de ramo. ''O bom é arrumar um emprego fixo, só que está difícil'', lamentou.
Além dos vendedores, alguns usuários também reclamam. A professora Márcia, que mora em Cambé (13 km a Oeste de Londrina), compra os passes no mercado paralelo para economizar. ''Não uso muito, mas quando preciso fazer alguma coisa em Londrina uso o ônibus. Por ser R$ 0,10 mais barato, eu prefiro. Se for somar cada vez que uso o ônibus, a economia é grande'', contabilizou.
Alguns ambulantes, no entanto, acreditam que o comércio paralelo vai permanecer, mesmo com as mudanças impostas pela CMTU. ''Não sei como, mas acho que vai aparecer um jeito. Talvez com o cartão transporte pré-pago'', disse um homem de 54 anos, que há quatro vende passes ao lado do Terminal Urbano. (F.R.F.)

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