Medida que limita entrevista com preso dá polêmica
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sexta-feira, 23 de maio de 1997
Sucursal de Cascavel 
A portaria da Justiça de Cascavel que estabeleceu exigências para autorizar entrevistas jornalísticas com presos desagradou a repórteres policiais, principalmente radialistas. Eles alegam que os requisitos limitam a atividade profissional deles.
No despacho, os juízes Givanildo Nogueira Constantinov e Mario Elton Jorge exigem concordância por escrito do preso a ser entrevistado e duas testemunhas que não sejam policiais. A medida foi editada em vista das queixas constantes de presos que dizem ter sido agredidos fisicamente e verbalmente por repórteres policiais.
Os juízes afirmam estar preocupados em fazer valer o princípio constitucional da presunção de inocência e a própria integridade física e moral dos presos. Os juízes dizem que não requisitaram ainda inquéritos policiais para averiguar as queixas porque aguardam depoimentos formais, de presos e familiares, com identificação dos agressores. Segundo Constantinov, as queixas referem-se a dois ou três repórteres.
É comum presos fazerem essas acusações, sem provar, para tentar amenizar suas culpas, reage Thiago de Amorim Novaes, 28 anos, 10 anos de profissão. Somos condenados pela palavra de marginais, acrescenta ele, que tem programas na Rádio Colméia e TV Tarobá, além de coluna na Gazeta do Paraná. Novaes diz que não leva em conta as queixas por causa da origem delas. É fácil nos crucificar sem provas, diz o radialista.
O radialista Ado Júnior, 33 anos e 17 como repórter policial, acredita que presos combinaram as acusações para encobrir seus erros. Bandido não confessa com suco de laranja e pão-de-ló, ensina ele, que tem programa nas rádios Nacional e Capital. Ele assegura que nunca usou de violência física contra presos. Às vezes acabo usando palavras agressivas nas entrevistas, admite.
O repórter da TV Tarobá João Carlos Gallo, 34 anos, quatro na área policial, diz estar chocado com a generalização dos termos da portaria. Nunca agredi ninguém. Os juízes deveriam dar nome aos bois.
As queixas se referem talvez a um ou outro bate-pau, que prejudica a imagem dos profissionais sérios, diz Luiz Ezequiel Porfírio, 43 anos, 10 de cobertura policial e repórter do jornal A Cidade.
Nota oficial da Associação dos Jornalistas de Cascavel (AJC) sobre a portaria emitida pela Justiça define as exigências para entrevistas como uma camisa-de-força que praticamente impede o trabalho dos profissionais comprometidos com a informação limpa.


